O fumo e as mulheres

Manchete na mídia norte-americana: mulheres, sobretudo jovens, expostas à fumaça do cigarro têm um risco até 90% maior de desenvolver câncer de mama. É o que mostra uma revisão de mais de mil trabalhos publicados sobre o tema.

Esta notícia é preocupante de maneira geral e é preocupante sobretudo no Rio Grande do Sul, onde parte da economia está ligada ao cultivo do tabaco e à produção de cigarros. Atividades que, num passado ainda recente, eram vistas como algo normal; para muitos doutores, o fumo teria até propriedades terapêuticas. Mas, em 1950, dois médicos ingleses, Richard Doll e Austin Bradford Hill, mostraram uma definida relação entre tabagismo e câncer de pulmão.

A partir de então, as evidências foram se acumulando, não só em relação ao câncer, mas a uma variedade de outras doenças. Em 2003, foi assinado pelos 192 paises-membros da Organização Mundial da Saúde – OMS, o 1º Tratado Internacional de Saúde Pública da história da humanidade, a Convenção Internacional para o Controle do Tabaco. Controlar o tabaco é tarefa urgente, e é tarefa grande: existem atualmente cerca de 1,2 bilhão de fumantes no mundo. São cerca de 5 milhões as mortes anuais: 13.500 por dia. A cada ano, 200 mil brasileiros morrem precocemente por doenças causadas pelo tabagismo.

E o que se pode fazer? O primeiro alvo é o bolso: segundo o site álcool e drogas sem distorção, a cada 10% de aumento no preço do produto, aproximadamente 40 milhões de pessoas deixam de fumar. A taxação dá aos governos um rendimento em impostos nada desprezível. Por outro lado, os altos preços pagos pelo tabaco servem de motivação aos agricultores. Daí a necessidade, preconizada pela OMS, de medidas que os ajudem a diversificar sua atividade.

Fonte das estatísticas:
•Sítio álcool e drogas sem distorção
Link: http://200.152.193.255/alcooledrogas/atualizacoes/cl_107c.htm
•Instituto Nacional do Câncer – INCA
Link: http://www.inca.gov.br/tabagismo/

Fonte: Jornal Zero Hora