Absorção de nicotina é maior com cigarro light

Um estudo da nova edição do jornal do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que ao fumar cigarros light ou suaves as pessoas não estão reduzindo a quantidade de nicotina e alcatrão absorvida. Os pesquisadores descobriram que, na verdade, quem fuma este tipo de cigarro consome oito vezes mais nicotina do que o descrito no rótulo. E pior: isso está muito próximo do que consomem aqueles que fumam cigarros normais.

Para o responsável pelas pesquisas, Martin Jarvis, isso é suficiente para caracterizar os rótulos de cigarros de enganadores. Jarvis e seu grupo analisaram 2.031 fumantes que foram perguntados sobre que cigarros consumiam. Amostras de saliva de todos eles foram examinadas para detectar a quantidade de cotinina, um dos principais subprodutos da nicotina no organismo.

Máquina de fumar – Dependendo da marca a pessoa fumava, os níveis eram comparados com os dados do laboratório químico do governo americano. Os Estados Unidos testam seus cigarros em uma máquina desenvolvida especialmente para isso, que simula uma pessoa fumando. A cada 60 segundos, ela dá uma “tragada” de 2 segundos de duração, o equivalente a 35 mililitros. O equipamento fornece informações sobre a quantidade de nicotina, alcatrão e monóxido de carbono que estariam sendo consumidas em cada produto. Quando a máquina “fumava” cigarros normais, identificava uma média de 0,91 miligramas de nicotina por cigarro. Quando o pesquisador mediu os níveis de cotinina presente na saliva dos voluntários, a média de nicotina era de 1,31 miligramas por cigarro.

Com os cigarros light ou suaves o resultado foi ainda mais surpreendente.
Enquanto a máquina registrava uma média de 0,14 miligramas, os fumantes recebiam 1,17 miligramas de nicotina por cigarro. “Achamos que esses rótulos usados nos cigarros light devem ser proibidos, porque estão prometendo algo que não é verdade”, diz Jarvis. Segundo ele, os cientistas precisam repensar o que pode ser feito para produzir cigarros menos perigosos.

O professor de medicina da Universidade da Califórnia, Neal Benowitz, disse não estar surpreso com as descobertas da nova pesquisa americana e afirma que isso acontece também na Grã-Bretanha, outro país que utiliza a máquina de medir teores.
“Muitos fumantes mudam para cigarros light achando que estão fazendo algo bom para a sua saúde”, diz o professor. “Em alguns casos, isso faz com que a pessoa mantenha o vício em vez de parar de fumar.”

Especialistas, incluindo Benowitz, e a Sociedade Americana de Câncer defendem uma outra maneira para medir os níveis de nicotina no lugar da máquina. Eles são a favor de um método que aumenta a quantidade de fumaça inalada e reduz o tempo entre uma tragada e outra. Os dois procedimentos aumentam a quantidade de nicotina absorvida pelos fumantes.

“A máquina pode não ser precisa porque cada pessoa fuma de maneira diferente”, admite o porta-voz da Brown & Williamson Tobacco Corporation, Mark Smith. “Ela não dá a última palavra sobre quanto o fumante consome, mas permite fazer comparações.”

Fonte: ABEAD – O Estado de São Paulo,22 de Março de 2005
Fonte: NICOLLE CHARBONNEAU The New York Times