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Tenho dois amigos, que amo muito, que usam maconha, mas, de acordo com eles, eles usam racionalmente

Tenho dois amigos, que amo muito, que usam maconha, mas, de acordo com eles, eles usam racionalmente. Gostaria de uma orientação para saber o que eu digo para esses dois, não quero que eles entrem nessa vida, pois, eu sei que uma dependência começa assim…

Esses seus amigos são pessoas de sorte por terem alguém preocupado e querendo ajudá-los. É importante não assistir passivamente as mudanças de comportamento de seus amigos e poder mostrar a preocupação de modo genuíno e sincero. Ao invés de tentar convencê-los a parar de usar maconha, talvez, seja mais eficaz centrar a sua energia procurando apontar os problemas que o uso da droga causa, para que eles mesmos realizem os prejuízo e os riscos que correm ao usá-la. As observações vagas como “não é bom fumar maconha” ou “isto está causando problemas”, não são suficientes, e pode-se apontar situações em que eles se envolveram em problemas concretos, agiram de maneira inadequada, tiveram lapsos de memória, tomaram decisões sem a devida consciência, gastaram mais dinheiro do que poderiam, correram risco de serem pegos pela polícia, deixaram de participar de uma atividade que antes lhes interessava, isolaram-se dos amigos ou familiares e etc. Estas situações mostram realmente o lado prejudicial do consumo de uma droga e podem ser apontadas objetivamente, sem raiva ou ressentimento, procurando sensibilizar a pessoa sobre seu estilo de vida e dificuldades.

Também é importante que eles tenham informações a respeito dos riscos associados ao uso esporádico de maconha. Primeiro, há o risco da pessoa se tornar dependente. Mas, mesmo sem ser dependente, existem alguns efeitos não desejáveis que podem se instalar, em maior ou menor proporção, dependendo da quantidade e da freqüência de maconha usada. Por exemplo: os prejuízos na memória recente, uma certa confusão mental, a distorção das noções de espaço e tempo, problemas de coordenação motora, alterações no estado de humor, crises de ansiedade, etc. Esses sintomas, na medida em que se controla o uso, podem não trazer maiores problemas, mas podem ser causadores de algum acidente, por exemplo, ao dirigir, ao atravessar uma rua ou ao se sentar numa murada ou janela. Nem sempre é possível prever as situações em que nos envolveremos. Além desses, não é raro, principalmente entre adolescentes, que a maconha provoque mudanças de personalidade, ou faça vir à tona problemas psicológicos que estavam “adormecidos”, causando confusão mental, falta de motivação e até delírios, alucinações ou casos mais graves de quadros psicóticos ou esquizofrenia. Sendo assim, o uso de maconha, ainda que esporádico, pode ser muito prejudicial.

É possível, também, sugerir a eles para mudarem alguns de seus comportamentos como, por exemplo, reduzir o uso e ficar abstinente por um tempo determinado. Estas situações podem ajudá-los a perceber que talvez não tenham tanto controle sobre seu consumo como eles gostariam e podem realizar que correm riscos. Se eles começarem a sentir a necessidade de mudar, mas não encontrarem meios ou condições pessoais para efetivar a mudança, é indicado buscar ajuda terapêutica com especialistas.

De qualquer forma, contar com a presença e a compreensão de uma pessoa querida e disposta a ajudá-los pode ser um primeiro e decisivo passo para eles reverem e modificarem os comportamentos de risco. Se por algum motivo você considerar que não existe um “clima” adequado para ter esse tipo de conversa entre vocês, peça ajuda a alguém para ter esta conversa franca e desarmada.

Enfim, a vida é cheia de oportunidades e decisões. Existem muitas sensações desafiantes e prazerosas que não dependem da alteração do estado de consciência e nos levam a correr menos riscos.

Equipe do site Álcool e Drogas sem Distorção