China proíbe cirurgia cerebral para curar dependentes químicos

O ministério da Saúde chinês proibiu as cirurgias cerebrais para curar dependentes químicos, devido aos efeitos colaterais que estas operações causariam e à falta de pesquisas científicas sobre a prática.

“O ministério não continuará com a cirurgia até que haja uma avaliação científica completa sobre a segurança e a eficácia da prática e sejam estabelecidos critérios técnicos” para o seu uso, informou a agência de notícias Nova China, citando o porta-voz do ministério da Saúde, Man Qun.

Segundo a fonte, as cirurgias cerebrais para curar a dependência de drogas foram suspensas na China em novembro de 2004 e a avaliação por parte dos especialistas médicos sobre os efeitos colaterais que esta prática causaria levou à sua proibição nesta segunda-feira, 18/04.

Na China foram realizadas mais de 500 operações cerebrais com este fim desde que, em 2000, um hospital da província de Guangdond (sul da China) recebeu a autorização para fazer o procedimento. Nas intervenções cirúrgicas, realizadas por cientistas russos em 1999, uma parte do cérebro que estaria associada ao desejo de consumir drogas era extirpada.

“A prática da cirurgia cerebral em pacientes é irresponsável e antiética”, disse um Oficial do ministério da Saúde chinês que pediu para ter sua identidade preservada, segundo a Nova China.

“Sua segurança, efetividade e conveniência devem ser avaliadas com um acompanhamento a longo prazo e devem passar por estritas provas científicas”, acrescentou a fonte. Os doutores alegam que as cirurgias poderiam causar efeitos colaterais, como a perda do instinto sexual, explicou a imprensa em novembro, quando a prática foi suspensa.

“Precisamos de mais tempo – de cinco a dez anos – para conhecermos os efeitos gerais reais da cirurgia”, explicou Li Yongjie, Diretor do Departamento de Neurocirurgia Funcional do hospital Xuanwu de Pequim.

Li acrescentou que a taxa de sucesso deste tipo de cirurgia em outros países é de apenas 60%. Esta prática foi proibida na Rússia em 2002, depois que um paciente declarou sofrer dores de cabeça desde a operação e não ter conseguido tampouco curar a dependência de drogas.
Fonte: Agência AFP