Adolescentes dos Estados Unidos usam remédios contra gripe e esteróides como droga

Os adolescentes que produzem metanfetaminas a partir de xaropes contra a tosse obrigaram as autoridades dos Estados Unidos a tomar medidas para evitar que a “moda” se transforme num grave problema.

“São muitos os remédios que deveriam ser vendidos só com receita, mas os garotos podem consegui-los em qualquer farmácia de supermercado”, disse Tommy Barker, do Centro Choices Residential, especializado no tratamento de adolescentes dependentes químicos.

O Departamento Americano Antidrogas dos Estados Unidos – DEA informou que em 2004 foram descobertos quase 16 mil laboratórios caseiros que produziam metanfetaminas, contra cerca de 3.300 em 1997.

Segundo a Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde, em 2002 mais de 12 milhões de pessoas em todo o país haviam consumido metanfetamina, que é um derivado da anfetamina. O uso habitual pode levar a longo prazo a comportamento psicótico e alucinações.

Pelo menos 11 estados (Geórgia, Kentucky, Kansas, Iowa, Tennessee, Illinois, Arkansas, Wyoming, Virgínia Ocidental, Mississippi e Dakota do Sul) adotaram em 2005 limitações para a venda de remédios contra resfriado que contêm pseudoefedrina.

Outros 20 estados estudam medidas semelhantes que envolvem remédios populares, que são usados para atenuar os sintomas de resfriado, alergias e sinusite.

Na semana passada, a Target, a segunda maior rede de hipermercados dos Estados Unidos, retirou de suas estantes de remédios de venda livre muitos remédios para resfriado e anunciou que só os venderá a quem apresentar documento de identidade e em doses limitadas.

Quase 60% das lojas Wal-Mart, a maior rede mundial de hipermercados, pôs a maioria desses tipos de remédios sob venda controlada.

Barker explicou que, com uma manipulação simples num laboratório caseiro, os jovens obtêm metanfetamina, que “acelera a palavra, os movimentos e a sensação motriz”.

“Também inibem o sono e o apetite, e o organismo desenvolve tolerância de modo que cada vez pede uma dose mais poderosa”, acrescentou.

Barker disse que também deveria ser restrita a venda de outros remédios populares, como o Nyquil, um composto que reduz a febre e controla a tosse, e o Benadryl, um poderoso anti-histamínico.

“O Nyquil contém acetaminofeno, que alivia dores e reduz a febre; dextrometorfan, que suprime a tosse; o anti-histamínico doxilamina, e o descongestionante nasal pseudoefedrina”, acrescentou. “De todos eles, podem ser obtidas doses estimulantes ou que causem estupor”.

O ingrediente ativo do Benadryl é o cloridrato de difenidramina, que em doses superiores às recomendadas pelos médicos induz ao sono.

Outra modalidade de abuso de drogas detectado com freqüência crescente pelos médicos é o consumo de esteróides por meninas e adolescentes, não para melhorar o rendimento esportivo, mas com um objetivo puramente estético: brilhar como as modelos.

Usando essas drogas, meninas a partir de nove anos tentam melhorar seu tônus muscular e esculpir um corpo atlético semelhante ao das modelos.

Linn Goldberg, da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon, na cidade de Portland, afirmou que “milhões de mulheres jovens, 30% das adolescentes, tomam pílulas e remédios para emagrecer”.

“Os anos da adolescência são cruciais para as meninas porque é quando formam seus ossos”, acrescentou. “Essas drogas afetam o desenvolvimento dos ossos. E se estas meninas não são atletas, não obtêm o estímulo para o desenvolvimento dos ossos, portanto este é um perigo duplo”.

O Girlsinc.org, um grupo com sede em Nova York que estuda a cultura das adolescentes e promove programas de educação, informou que “o consumo de esteróides parece ser cada vez maior entre as meninas jovens”.

Um estudo efetuado em Massachusetts entre meninos e meninas de nove a 13 anos descobriu que 3% deles diziam que usavam esteróides. Entre as meninas de 12 e 13 anos, o número era de 5 por cento.
Autor:Agência EFE
Fonte:OBID