Consumo de álcool por jovens de Belo Horizonte leva escolas a receberem notificação

O Pátio Savassi, shopping de alto padrão da zona sul de Belo Horizonte, notificou por escrito 14 colégios sobre o consumo de bebidas alcoólicas pelos estudantes e as constantes brigas de grupos rivais de alunos dentro e fora do local.

O aviso foi feito em fevereiro pelo Superintendente do estabelecimento, Weverton Luiz Jorge, e alerta para os problemas que começaram a surgir após a volta às aulas. O Juizado da Infância e da Juventude também foi avisado e tem feito blitze nos locais que vendem bebidas.

O Conselho Tutelar da Região Centro-Sul vai ao estabelecimento coibir o uso de bebida alcoólica e tentar obrigar os alunos a retornarem para a sala de aula, conforme anuncia a Coordenadora Adélia Almeida.

No comunicado às escolas, Jorge aponta para o risco de um “linchamento” entre os estudantes, muitos deles uniformizados. “É sempre na sexta-feira que isso ocorre. Até o ano passado, eles conviviam bem, sem nenhum tipo de problema. Começou a ter afluxo de colegas de outra região, e os problemas começaram”.

O consumo de bebidas alcoólicas agrava o caso, segundo Jorge, apesar de afirmar que as lanchonetes e restaurantes não vendem para menores de 18 anos, mas que os colegas mais velhos compram e distribuem. “Quando o Juizado chega, eles nunca entregam quem comprou. Dizem que eles próprios compraram. Agora, as lojas só vendem bebidas para adultos”.

Freqüentadores da praça de alimentação e das entradas do prédio, o superintendente disse ser difícil contabilizar o número de estudantes nas sextas, mas arrisca dizer que “está beirando mil”. Jorge alega não querer afastá-los do lugar, até porque os considera “bons consumidores”, mas diz que a situação incomoda outros clientes do shopping.

O Procurador Ronald Albergaria afirmou que os pais podem ser processados criminalmente por abandono intelectual – crime previsto nos artigos 246 e 247 do Código Penal, com pena de até três meses de prisão – caso seus filhos sejam flagrados fora da escola ou fazendo uso de bebidas alcoólicas. Segundo Albergaria, as escolas também são responsáveis por impedir, durante o horário de aula, que o adolescente se ausente. “A escola pode fechar os portões e até mesmo buscar o aluno no shopping. Se ele insistir em ficar fora da escola, o Conselho Tutelar deve ser comunicado”, afirmou.

O shopping preserva o nome das escolas que receberam a correspondência, mas informa que três responderam ao comunicado e disseram que passarão a mandar “disciplinadores” ao local às sextas-feiras.
Autor:: Folha de São Paulo
Fonte:OBID