Alerta médico contra o cigarro

“Substâncias químicas no cigarro afetam o mecanismo da ereção, então aparece a impotência.”, Paulo César Restivo, Pneumologista do Hospital Santa Luzia

Domingo foi dia de conscientização no Parque da Cidade. Uma equipe de médicos e enfermeiros do Hospital Santa Luzia passou a manhã tirando as dúvidas da população sobre o tabagismo e aplicando o teste de Fagerström – que indica o grau de dependência que o fumante tem com a nicotina.

No Brasil, o número de fumantes vem caindo anualmente a uma taxa de 3%. Um número comparativamente melhor do que nos EUA, que vem reduzindo esse número em 1% ao ano. “Mas, no caso do Brasil, essa redução só começou a acontecer a partir da década de 90. Lá eles já se conscientizaram há mais tempo”, diz o pneumologista
Paulo César Restivo.

Para o médico, foi fundamental nesse processo a divulgação de casos de doenças relacionadas ao fumo
(90% dos casos de câncer de pulmão e de efisema pulmonar manifestam-se em fumantes ou ex-fumantes) e também a estratégia do governo de proibir as
propagandas de cigarro. “Com isso as pessoas já estão fumando menos”.

Para quem está querendo parar de fumar, o pneumologista aconselha um tratamento de choque: parar de uma vez. “Se você é jovem e fuma relativamente pouco (até um maço por dia), é melhor que seja assim. Você pode aproveitar por exemplo quando estiver resfriado. O corpo quando está doente tem menos vontade de fumar.”

A pessoa também pode tentar focalizar um dia qualquer na semana e ir dizendo para ela mesma que vai parar naquele dia. “Isso às vezes ajuda, pois ela tem tempo de se condicionar”, diz.

Os primeiros dias da primeira semana são os piores, segundo o especialista. E, se for muito difícil, é preciso ajuda médica. “Ele pode receitar chicletes e adesivos de nicotina ou mesmo a pupropiona, um anti-depressivo que diminui muito a vontade de fumar”. Restivo alerta, contudo, que a medicação, por ser um psicotrópico, não pode ser tomada sem controle médico.

O tratamento que repõe nicotina no organismo também é positivo. Segundo o médico, a nicotina atua nos neurorreceptores dando uma falsa sensação de relaxamento e o cérebro, depois de algum tempo, fica dependente daquela sensação. “São mais de 4 mil substâncias tóxicas no organismo. Nada vale tanto malefício”, alerta Paulo César, que inclui entre os efeitos nefastos do fumo a impotência.

A fumaça que leva todas as substâncias ao pulmão também afeta o sistema circulatório do homem. “Como o mecanismo da ereção é vascular, as artérias precisam dilatar-se, e, como as substâncias químicas presentes no cigarro afetam esse mecanismo, aparece a impotência.”

Os nutricionistas alertam para um fator comum a quem está no processo de se desligar do vício do cigarro: a ingestão compulsiva de comida. “O melhor é tentar trabalhar a cabeça e a ansiedade em uma academia ou mesmo em um grupo terapêutico”, alerta.
Fonte:DISTRITO FEDERAL