Controle mais rígido contra o cigarro

O objetivo dos palestrantes do I Fórum Nacional de Controle ao Tabaco, que acontece em Brasília, é o mesmo. Eles querem mais rigor na aplicação das leis que restringem o consumo do cigarro.

No Dia Mundial sem Tabaco – comemorado nesta segunda-feira -, um dos pontos defendido pelo deputado distrital, Peniel Pacheco, autor da lei (1162/96) que proíbe o fumo em ambientes fechados, foi a extensão das leis para estados e municípios. “Queremos que as legislações estaduais e municipais adotem essa medida tão polêmica que é a proibição do cigarro no ambientes fechados. Sabemos que é viável”, afirmou.

No Brasil, uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Vox Populi, constatou que 46,8% dos fumantes recebem entre um e cinco salários mínimos; 24,5%, até um mínimo; 14,5%, entre cinco e dez mínimos. E 14,1%, acima de dez salários.

Dados mostram ainda que 200 mil pessoas morreram no Brasil em 2003 por causa do fumo. No Distrito Federal, foram registrados 2.604 óbitos dessa natureza. Isso equivale a 200 mortes por mês e 7,2 por dia.

No DF, o número de fumantes caiu de 38% para 17%. Porém, entre os jovens o consumo ainda aumenta. “Acredito que isso parte da vontade que eles têm em experimentar. E ainda os maus exemplos de pais, professores e, sobretudo, a televisão colaboram para esse crescimento”, acrescenta o médico Celso Rodriguez, coordenador do Programa de Controle do Câncer e Tabagismo da Secretaria de Saúde. O Governo do Distrito Federal (GDF) gasta mais de R$ 8 milhões por ano com doenças provocadas pelo cigarro.

A ação contra o tabaco promovida neste domingo, no Parque da Cidade, pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, identificou dados preocupantes. Dos 250 fumantes que fizeram exames de sangue, 53 deles têm lesões suspeitas de câncer. Os testes foram feitos pelos médicos de plantão nos quatro consultórios instalados para o evento, que reuniu 4.500 pessoas e promoveu shows, exposição de estandes, caminhada, entre outras atrações.

De acordo com Rodrigues, essas pessoas deverão ser tratadas. “Elas não correm perigo de desenvolverem um câncer, porque serão tratadas para parar de fumar”, garante.

Programação

O Fórum começou nesta segunda-feira e segue até terça. Na conclusão do evento, será apresentada um carta de intenções. A organização ainda não informou para quem será entregue o documento. A divulgação está prevista para o final do evento, na tarde desta terça-feira.

No primeiro dia, a diretora do tabaco Free Iniciative, da Organização Mundial de Saúde (OMS), Vera Luiza Costa e Silva, apresentou o ciclo vicioso que liga a pobreza ao tabaco. Ela afirma que o número de fumantes está diminuindo. Mas se diz preocupada com adolescentes do sexo feminino. “As meninas estão começando a fumar mais que os homens. Nos países desenvolvidos, isso acontece.

E é preocupante pois elas serão futuras mães e terão de dar bons exemplos para os filhos”. A diretora atribui o fenômeno às estratégias de marketing e à indústria do tabaco.

O Diretor do Departamento de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita, falou das sansões administrativas em função da venda e da publicidade do tabaco. E ainda a palestrante Estela Aguinada, da OMS, falou das estratégias de marketing usadas pelas indústrias de fumo. Nesta terça-feira, o fórum vai discutir as legislações brasileiras para o controle do tabaco.
Fonte:DISTRITO FEDERAL