MATO GROSSO: Violência é resultado do alcoolismo

Cerca de 90% dos casos de violência registrados na Delegacia de Defesa da Mulher em Cuiabá são ocasionados pelo abuso do álcool.
Além disso, 50% dos pacientes de hospitais psiquiátricos são alcoolistas, e 10% a 15% da população mundial, ou seja, aproximadamente 700 milhões de pessoas, sofrem da doença do alcoolismo. Os dados foram fornecidos pelo médico Josemar Onório Barreto, palestrante do Seminário “Alcoolismo: há uma solução”, realizado em Cuiabá, do qual participaram 280 pessoas.

Durante o evento foram discutidos temas como as conseqüências do alcoolismo na infância e na adolescência, como saber que uma pessoa é alcoólatra e as formas de tratamento e programas de recuperação.

Com isso, o objetivo do Seminário, promovido pelo Alcoólicos Anônimos de Mato Grosso (AA/MT), é de ajudar profissionais de saúde, Justiça e agentes da Pastoral da Sobriedade a identificar quando uma pessoa é alcoólatra.

“O que acontece é que a grande maioria das pessoas que procuram o AA não sabem ao certo o que é ser alcoólatra, que isso é uma doença, pois ninguém explicou para eles. Há uma grande necessidade de conhecimento das pessoas sobre o alcoolismo. Com esse seminário, nós estamos colaborando com o profissional, através de uma parceria de cooperação”, esclareceu Handus, membro do AA e Coordenador do evento.

De acordo com ele, hoje existem em Mato Grosso cerca de 1,2 mil alcoólatras em recuperação, participando das reuniões realizadas em algum dos 39 grupos de AA existentes no Estado. “Em Cuiabá são 11 grupos, e em Várzea Grande são 05”, explicou Handur.

O médico Josemar Onório salientou a importância de se conscientizar os profissionais de saúde sobre o alcoolismo. “É preciso fazer um diagnóstico precoce, para poder tratar logo. É mais difícil diagnosticar nas fases iniciais da doença, porque ninguém quer admitir que é alcoólatra”, ressaltou.

Durante sua palestra, o doutor Josemar falou do preço pago pelo alcoolismo, como perdas psíquicas, familiares, profissionais e sociais. “As conseqüências vão desde cirrose hepática, pancreatite, úlceras, derrame, até infarto e outras infinidades de problemas. O alcoólatra, também, perde o emprego, a família e pode chegar até à psicose e à demência, que é irreversível. Cerca de 50% dos pacientes de hospitais psiquiátricos são alcoolistas”, afirmou o médico.

O tratamento para quem quer deixar de beber é intensivo e dura de cinco dias a três meses. “Isso é apenas a desintoxicação da pessoa”, ressaltou o médico.

A segunda parte envolve terapias de conscientização e apoio para superar os problemas ocasionados pelo álcool. “Recomendamos que as pessoas que estão nessa fase de tratamento procurarem pelo AA, pois a recuperação precisa ter um acompanhamento. Tem que haver consciência, pois o tratamento dura a vida inteira”, concluiu o médico.
Fonte:GSIPR(Governo)