SÃO PAULO: Abandono leva mais idosos ao alcoolismo

Aposentadoria, perda de parentes e amigos, internações hospitalares, insônia e tremor empurram, cada vez mais, uma parcela da população idosa para o alcoolismo. Não importa onde estejam, mas certamente os idosos ou aposentados que habitam os grandes centros urbanos são mais vulneráveis e mais propensos a afogarem as mágoas num copo de álcool.

Tudo para não se sentirem abandonados, num canto qualquer de uma cidade, observando o passar dos dias sem motivação para agirem. Situação que se agrava porque uma dose de álcool por dia para alguém mais velho e com um organismo já debilitado pode causar problemas cognitivos, como dificuldade de locomoção e fala, e agravar doenças vasculares.

Estas são as principais conclusões de pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos sobre Envelhecimento e Saúde do Idoso, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps) da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz. Ao analisar o comportamento de 120 idosos, que procuram o centro de atendimento ao alcoólico e sua família da Fiocruz, os pesquisadores da instituição perceberam que a maioria deles já havia se aposentado e tinha um histórico de perdas. Em comum, são pessoas que encontraram no álcool um alívio arriscado para a tensão cotidiana provocada pela ociosidade e a ausência de uma tarefa capaz de reconhecer e estimular suas habilidades.

Envelhecimento – O que fazer, então, para solucionar o problema, levando-se em conta que a população brasileira está envelhecendo? Em 1991, 13 milhões de pessoas tinham mais de 60 anos, total que deve chegar a 20 milhões no Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a média de crescimento desse universo vem sendo mantida desde 1960. Para o psiquiatra Marcelo Alves Chagas, autor do estudo da Fiocruz, o dependente nunca vai abandonar a bebida, por isso é importante que o vínculo com esse paciente seja permanente, caso contrário ele volta ao álcool. “Na Fiocruz, há um programa de semi-internato para o dependente químico. Porém, o alcoolismo ainda é visto de uma forma ineficaz na grande maioria dos hospitais.

Tem de ocorrer uma integração entre o serviço clínico e o atendimento psiquiátrico para se tratar do alcóolatra”, diz Chagas. O psiquiatra encontra respaldo na receita que dá para o problema nas próprias estatísticas feitas por sua equipe. Hoje, por exemplo, cerca de 100 pacientes são atendidos pelo programa da Fiocruz e, após um mês de tratamento, de 80% a 90% dos pacientes param de beber.

Porém, aproximadamente 70% deles voltam a beber depois de três meses. Mas, entre aqueles que mantêm o vínculo com o programa, apenas 30% retornam ao álcool.

O psiquiatra encontra respaldo na receita que dá para o problema nas próprias estatísticas feitas por sua equipe. Hoje, por exemplo, cerca de 100 pacientes são atendidos pelo programa da Fiocruz e, após um mês de tratamento, de 80% a 90% dos pacientes param de beber. Porém, aproximadamente 70% deles voltam a beber depois de três meses. Mas, entre aqueles que mantêm o vínculo com o programa, apenas 30% retornam ao álcool. A dificuldade está em motivar essas pessoas, integrá-las a um grupo social, em que possam enfrentar os mesmos problemas em conjunto, rompendo a solidão que faz com que um copo vazio, cheio de ar, precise do álcool para ganhar densidade.
Fonte:GSIPR(Governo)