Hábitos, atitudes e crenças de fumantes em quatro capitais brasileiras

A dependência de nicotina é a maior causa evitável de adoecimento e morte em nosso país. De acordo com dados do último censo, 32,5% da população brasileira adulta fuma, mas pouco se sabe sobre quantos deste grupo desejam parar e quais os fatores que os influenciariam a tomar a decisão de abandonar o cigarro. Além disso, muito destes dados são de qualidade pobre, e as metodologias usadas para coletá-los são muito diferentes.

Por isso, pesquisa publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria, analisou hábitos, atitudes e crenças de fumantes em quatro capitais do Brasil (Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo), e comparou com estudo europeu de 17 países.

Uma importante preocupação do estudo foi em garantir o uso da mesma metodologia, a fim de comparar os dados do estudo brasileiro aos dados dos estudos europeus. Se não, seria impossível avaliar a eficácia de nossas políticas de prevenção em comparação àquelas de países mais desenvolvidos. Para a pesquisa, 800 fumantes foram entrevistados pessoalmente e individualmente. Definiu-se fumante como um indivíduo que fuma pelo menos um cigarro por semana. Os fumantes recrutados foram interceptados nas ruas e convidados a preencher o questionário, de acordo com quotas pré-estabelecidas, divididas de acordo com classe social, sexo, ocupação e idade.

Os resultados encontrados foram de que a maioria dos entrevistados declarou desejar parar de fumar, e apresentou grau de dependência de nicotina de baixo a moderado. Quanto maior a motivação dos indivíduos para deixar de fumar, maior o número de tentativas já haviam feito, e maior a probabilidade de terem recebido conselho médico. Apenas 21% do total da amostra foram aconselhados pelos seus médicos a parar de fumar. O fator de maior influência nos esforços para parar de fumar foi “preocupação em expor crianças, família e amigos à fumaça do cigarro”.

O estudo concluiu que o Brasil, se comparado a países europeus, parece ter uma população com um alto grau de conscientização na “ações antitabaco”. O conhecimento do perfil do fumante brasileiro também possibilita a adoção de tratamentos mais eficazes e a realização de programas e campanhas de prevenção do tabaco.

Autores: Analice Gigliotti; Ronaldo Laranjeira.

Autor:Revista Brasileira de Psiquiatria, v.27 n.1 São Paulo, março de 2005
Fonte:OBID