(China) Camponeses e desempregados são os que mais usam drogas

Cerca de 30% dos dependentes químicos chineses são camponeses e 45% deles estão desempregados, segundo dados revelados pela Comissão Nacional de Controle de Narcóticos e publicados nesta sexta-feira pela imprensa local.

O número oficial de dependentes químicos na China atingiu 791 mil em 2004, com um aumento de 6,8% em relação a 2003.

O diretor da divisão de Prevenção de Drogas do Ministério de Segurança Pública, Li Xianhui, informou à agência oficial Xinhua que até agora foram registradas 33.975 mortes relacionadas à dependência de drogas na China.

Entre o total de dependentes químicos, 70% são menores de 35 anos. A heroína continua sendo o principal problema, já que representa 89% das dependências, ou 679 mil usuários de drogas.

Cerca de 41% do total de 89.067 casos oficiais de portadores de aids contraíram o vírus através de seringas infectadas, muito acima da média de 22% do resto do mundo.

“O problema da droga está aumentando na China. O principal é que a chegada de narcóticos de diferentes origens não foi interrompida, e o “Triângulo de Ouro” continua sendo o mais perigoso”, afirmou Yang Fengrui, subsecretário geral da Comissão Nacional de Narcóticos.

O Triângulo de Ouro (Tailândia, Mianmar e Laos), a Ásia Central e a Península Coreana são as principais portas de entrada de narcóticos na China.

O jornal South China Morning Post publicou declarações que Yang deu na entrevista coletiva na qual anunciou uma guerra popular contra as drogas, que se transformou em um problema “complicado e extremamente sério” na China, disse.

Cerca de 40% de 200 entrevistados em Xangai não identificaram a cocaína como uma droga, enquanto que 10% desconhecem que o “ice” (cloridrato de metanfetamina) também é uma droga e 18,5% não consideram a maconha um narcótico, segundo um estudo divulgado no jornal “China Daily”.

A mesma pesquisa realizada entre 200 estudantes deu um resultado ainda mais preocupante, já que 32% deles ignoravam que a cocaína é uma droga.

As técnicas chinesas para a desintoxicação são menos esperançosas em comparação aos países desenvolvidos, já que um total de 273 mil dependentes químicos foram forçados a “tratamentos obrigatórios” em 2004 e outros 68 mil foram enviados a “campos de reeducação pelo trabalho” (“laogai”, ou campos de concentração).

Heroína, anfetaminas e ecstasy lideram o ranking de drogas mais consumidas na China, segundo as informações divulgadas ontem.
Fonte:No Olhar