Usuários de drogas injetáveis contribuíram para a propagação do vírus HIV no mundo

Os usuários de drogas injetáveis – UDIs, tiveram um papel chave na propagação do vírus HIV e de outras infecções transmitidas pelo sangue em todo o mundo. Devido a dupla exposição às práticas não-higiênicas da injeção e aos comportamentos sexuais de risco, UDIs apresentam taxas elevadas de infecções diversas, associadas freqüentemente com outros perigos (por exemplo overdose e obstrução de vasos sanguíneos), e mortes prematuras. A natureza fortemente interativa de suas redes sociais, as taxas de infecção elevadas de tais redes e seu relacionamento freqüente com outras redes de risco, tais como pessoas envolvidas no tráfico de drogas e na prostituição, fizeram dos UDIs um elemento chave na propagação e extensão rápida de epidemias.

No intuito de fazer uma breve revisão dos resultados brasileiros, que aparentemente mostram um declínio da epidemia de HIV/AIDS nesta população, artigo publicado na revista Memorial do Instituto Oswaldo Cruz destaca resultados recentes de cidades brasileiras e discute desafios metodológicos e desenvolvimentos atuais.

Em três das cidades brasileiras analisadas (Rio de Janeiro, Salvador e Santos – SP), que apresentam epidemia há longo tempo e programas preventivos bem estabelecidos, foi reportado declínio da epidemia de HIV/AIDS na população de usuários de drogas injetáveis. Os usuários mais recentes (definidos como aqueles indivíduos que injetam por menos de 6 anos) têm uma freqüência muito mais baixa de uso e taxas menores de infecção de HIV (bem para como outras doenças transmitidas pelo sangue), do que os usuários de longo prazo. Os casos de AIDS relatados no Brasil, em especial neste contexto de acesso universal à terapia anti-retroviral, representam informação essencial à avaliação no longo prazo das tendências epidêmicas.

Com um cenário original no campo das drogas, onde a cocaína é mais extensivamente fumada e em pouca extensão injetada, o Brasil é hoje em dia o país em desenvolvimento com a maior rede de programas que buscam reduzir os danos relacionados ao uso de drogas. Por outro lado, os estudos sobre UDIs são ainda escassos no Brasil, bem como as avaliações de programas e projetos em andamento que apontam para a redução de danos relacionados às drogas.

Título: Is human immunodeficiency virus/acquired immunodeficiency syndrome decreasing
among Brazilian injection drug users? Recent findings and how to interpret them.
Autores: Bastos, Francisco I; Bongertz, Vera; Teixeira, Sylvia Lopes,
Morgado Mariza G; Hacker, Mariana A.
Fonte: Memorial do Instituto Oswaldo Cruz, vol.100 no. 1 Rio de Janeiro,
Fevereiro de 2005