Tabagismo é fator de risco para ocorrência de complicações pulmonares após cirurgia no tórax

Após se submeter a uma cirurgia torácica, o paciente pode apresentar complicações pulmonares. Para evitar tais complicações, é preciso, em primeiro lugar, conhecer os fatores de risco para o aparecimento desses problemas pós-operatórios. De acordo com pesquisa realizada por Ivete Alonso Breeda Saad e sua equipe, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, pessoas com chiado no peito, mal nutridas, que fumam e cuja cirurgia é mais longa correm maior risco de apresentarem complicações pulmonares após a operação no tórax. Os resultados do estudo são apresentados em artigo publicado no São Paulo Medical Journal (volume 121; número 3).

Foram investigados 145 pacientes adultos, de ambos os sexos, submetidos à cirurgia torácica no Hospital das Clínicas da Unicamp, no período entre outubro de 1995 e junho de 1999. Como de praxe, para minimizar o risco de complicações pós-operatórias, todos os pacientes adotaram medidas de prevenção, como não fumar nas oito semanas anteriores à cirurgia, realizar terapia física e, se necessário, tomar antibióticos.

Nas primeiras 72 horas que se seguiram à operação torácica, 27 pacientes, ou seja, cerca de 18% do grupo estudado, apresentaram complicações pulmonares, principalmente traqueobronquite (inflamação simultânea da traquéia e dos brônquios) e broncospasmo (contrição dos músculos lisos dos brônquios, como na asma). “Para pacientes já com uma história de broncospasmo, o risco de complicações aumentou 6,2 vezes”, dizem. A maior ocorrência de traqueobronquite “pode ser explicada pelo fato de a população estudada ser formada por grande proporção de pacientes com doenças nos pulmões e histórico de tabagismo”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Quanto ao tabagismo, dos 27 pacientes que apresentaram complicações pulmonares no período pós-operatório, 14 ainda tinham o hábito de fumar e 12 já haviam sido fumantes. Ou seja: das pessoas que apresentaram agravos nos pulmões após a cirurgia torácica, apenas uma não tinha histórico de tabagismo.

Além disso, “a análise do grupo que apresentou complicações pulmonares pós-operatórias mostrou que no caso de 24 pacientes (88,8%) a cirurgia levou mais de 210 minutos”, afirmam Ivete e sua equipe no artigo. Esse tempo de cirurgia prolongado “é um importante fator de risco para complicações pulmonares pós-operatórias”, dizem.

O estado nutricional dos pacientes também mostrou relação com a ocorrência de agravos nos pulmões após a cirurgia no tórax. “Embora a obesidade já tenha sido citada como um fator de risco, o grupo de pacientes subnutridos, nesse estudo, apresentou maior número de complicações em comparação aos indivíduos eutróficos (nutridos adequadamente) e obesos”, afirmam os pesquisadores no artigo.
Autor: Agência Notisa
Fonte: OBID