Operação contra tráfico internacional de entorpecentes, é deflagrada em três estados

AE
O Supremo Tribunal Federal (STF) também expediu mandados de prisão preventiva para extradição de alguns membros da organização criminosa, a pedido do governo alemão. O grupo atua na América do Sul e Europa, e é acusado de enviar em média 60 quilos de cocaína quinzenalmente para países europeus e do Oriente Médio, a partir do Brasil.

A prisão de norte-americanos envolvidos com o tráfico internacional de drogas na cidade de Istambul, na Turquia, em 14 de junho de 2004 iniciou a investigação internacional. Os americanos identificados como Alexander Czimback, Suzanne Lutz e Shelly Lantz foram presos com aproximadamente 25 quilos de cocaína quando desembarcaram naquele país em vôo procedente de São Paulo.

Segundo as investigações, iniciadas pela PF no Brasil em 2004, a cocaína vinha do Paraguai e Bolívia, e entrava em território brasileiro pela região da tríplice fronteira, principalmente pelas cidades paraguaias divisas com a região de Foz do Iguaçu-PR e Ponta Porá-MS. O esquema funcionava através da cooptação de pessoas para transportar a droga para o exterior, as chamadas “mulas”. Os principais destinos eram Frankfurt, na Alemanha, Lisboa, em Portugal, e Oriente Médio. Além de Salvador e Pernambuco, eram usados os aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo.

Os responsáveis pelo gerenciamento de todo o esquema se organizavam em três grandes núcleos familiares, que envolvem cerca de 15 pessoas. Eles não participam diretamente do transporte da droga, mas organizam e financiam o narcotráfico em diversos países. O transporte era feito em malas, ou mesmo dentro do corpo das “mulas”, que engoliam cápsulas de cocaína. Brasileiros, holandeses, canadenses, nigerianos e sul-africanos seriam os principais responsáveis por este serviço.

Sete “mulas” foram presas em flagrante, desde o ano passado, tentando embarcar com quantidades variadas de droga. Cada quilo de cocaína é comercializado no exterior por cerca de US$ 3 mil. Segundo as investigações, a lavagem do dinheiro era feita principalmente por meio da compra de imóveis e carros importados, sempre pagos em dinheiro, e em nome de “laranjas”.

Durante as investigações, algumas conversas interceptadas por meio de autorização judicial eram feitas em árabe, o que exigiu o uso de tradutores. Segundo o delegado Júlio Bortolato, da Coordenação-Geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, a “repressão ao tráfico como delito transnacional não seria possível sem essa cooperação internacional, que é essencial no combate ao crime”.

Os acusados responderão pelos crimes de tráfico internacional de entorpecentes, associação para o tráfico, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Originários dos arredores da cidade de Hezzerta no Líbano, os envolvidos possuem também laços familiares, o que na cultura árabe possui forte representação. Os investigados, em sua maioria libanesa, na faixa etária compreendida entre os 30 e 45 anos, pertencentes às famílias Kassem, Chams, Diab, Ahmad e Handan, saíram do Líbano na década de 80, fruto da diáspora ocasionada pela Guerra Civil libanesa. Os emigrados vão inicialmente para Brasil e Suíça, e destes países para a Alemanha.

Na Suíça, segundo fontes alemãs, no início da década de 90 ocorreram as primeiras prisões de aparentados dos investigados por tráfico de cocaína; ao mesmo tempo o grupo começa a se estender para a Alemanha, onde vão residir principalmente nas cidades de Dusseldorf e Berlim.

Os laços de família, tão importantes para o auxílio ao emigrado no início da sua adaptação em seu novo país, começam a ser utilizados para que o grupo se organize voltado a atividades criminosas, o tráfico de drogas.

A Polícia Alemã, já em 2002, durante conferência realizada pela Interpol em Lyon, na França, comunicou à Polícia Federal do Brasil detecção de remessas de cocaína para a Europa a partir do Brasil, e da possibilidade de tais remessas estarem sendo feitas a partir de ações organizadas e não dispersas. Em dezembro de 2004, a Polícia Alemã encaminhou mais informações sobre o grupo investigado, estabelecendo uma intensa cooperação na investigação em curso, até pela existência de processos judiciais que envolvem a grande maioria dos investigados.
Fonte:24horas News