Jovens podem começar a usar drogas por omissão dos pais

TATIANA CAMPOS

Os jovens estão entrando no mundo das drogas cada vez mais cedo, aos nove ou 10 anos, e o vício começa em casa, ocasionado pela falta de informação e preparo dos pais. Para conscientizar a juventude, família, escola e sociedade e afirmar a luta contra esta problemática, começou ontem a VII Semana Nacional Antidrogas, que terá uma vasta programação até o final da tarde de sexta-feira.

Elder revelou um dado que deve pôr em alerta a família: os jovens começam a usar drogas dentro de casa, com o apoio dos pais e a maior porta de entrada para este caminho é o álcool.

“Os pais incentivam ou permitem que os filhos bebam no Natal, Ano Novo, um aniversário, e acreditam na filosofia de “que meu filho está bebendo comigo e dentro de casa”. O vício começa aí e o álcool é grande vilão entre as drogas”, disse.

Pelo menos 15% da população mundial tem pré-disposição orgânica ao uso de substâncias psicoativas, segundo a Organização Mundial de Saúde, que já considera isto como uma doença. “Alguns organismos recebem as drogas de maneira muito positiva e são “preparados” para gostar mais de entorpecentes, o que acaba facilitando e propiciando o vício”, explicou Mário Elder, presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen).

Pasta a base de cocaína, mescla e maconha são as drogas mais consumidas depois do álcool, pois são mais baratas e de fácil acesso.

Segundo Elder, o melhor trabalho é a prevenção, a busca de conscientizar os jovens sobre as conseqüências e prejuízos que as drogas podem trazer. “O que os governos podem fazer é apoiar cada vez mais as organizações e entidades que trabalham com isso, investindo na formação de multiplicadores e prevenção primária, como o Proerd”, disse o presidente do Conen.

Pais devem ficar atentos aos sinais que os filhos dão

Com freqüência os pais querem saber quais os sinais que indicam que um jovem esteja usando drogas. Não existe maneira fácil de confirmar a suspeita.

Tentar identificar no jovem sinais ou efeitos das diferentes substâncias só tende a complicar ainda mais as coisas. O clima de desconfiança que se instala nessas situações prejudica muito o relacionamento entre os familiares.

É normal e esperado que os jovens tenham segredos e que dificultem o acesso de outras pessoas da família, sobretudo os pais, a questões de sua vida pessoal. Eles tendem também a experimentar situações novas, a assumir atitudes desafiantes e de oposição e até mesmo a apresentar comportamentos ousados que podem envolver riscos. Tais comportamentos constituem traços característicos de uma adolescência normal. A grande dificuldade dos pais é saber até que ponto essas atitudes e comportamentos estão dentro do esperado ou se já significam que o jovem está passando por problemas mais graves e necessitando de ajuda.

O mais importante é que os pais tentem sempre conversar com os filhos. Mesmo que o diálogo se torne tenso e cheio de conflitos, ainda assim ele é uma via de comunicação importante. Os pais devem também se preocupar mais em ouvir do que em dar conselhos. Quando o jovem se isola e o acesso a ele se torna impossível, é um sinal de que é necessário procurar algum tipo de ajuda externa.
Fonte:Gazeta Acre