80% dos paraibanos já experimentaram drogas

Da Redação

Cerca de 80% dos paraibanos, a partir dos 12 anos de idade, já provaram algum tipo de droga. Além disso, algo em torno de 12% da população são usuários de álcool. Para diminuir esses índices, que também correspondem à média brasileira, a coordenação do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Capes-AD), ligada ao Núcleo de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Estado (SES), está desenvolvendo ações de treinamento junto aos profissionais do Programa de Saúde da Família (PSFs) na Grande João Pessoa, como forma de otimizar o atendimento e encaminhamento dos dependentes químicos ao tratamento.
A VII Semana Nacional Contra Drogas é comemorada sempre de 19 a 26 de junho. Como este período compreende os festejos juninos no Nordeste, a coordenação da Capes na Capital resolveu antecipar as ações para a semana passada, de 13 a 17 de junho. Nesse período, foi dado o ”ponta-pé” inicial nos trabalhos preventivos.

De acordo com o coordenador da Capes, Frederico Almeida de Medeiros, “a forma de comemorar foi por meio da realização de oficinas com os profissionais do PSFs. Trata-se de uma política de prevenção ao uso de substâncias psico ativas. Orientamos a eles a forma como devem orientar tanto usuário como a família, antes de nos encaminhar o caso”, explica.

A primeira parte dos trabalhos do Capes junto aos PSFs foi concluída no último dia 17. Mas a intenção é expandir as oficinas para todos os programas de Saúde na Família existentes em toda João Pessoa e até mesmo em alguns municípios adjacentes.

Dados do Capes sobre o perfil dos usuários paraibanos apontam que 26% daquelas pessoas atendidas pelo Centro têm de 10 a 19 anos; 48% estão na faixa etária de 20 a 39 anos; 21% têm entre 40 e 59 anos; e 3% são aqueles que possuem 60 anos ou mais. Com relação à situação trabalhista, as estatísticas impressionam. Aproximadamente 70% dos usuários são pessoas desempregadas e 30% estão empregados (porém, incluindo-se aí os trabalhadores informais).

Ainda segundo dados passados pelo Capes, 63% das pessoas atendidas no local são homens e 37% são mulheres. Com relação ao tipo de drogas, 31% dos que procuram ajuda são dependentes de múltiplas drogas, contra 30% daqueles ligados apenas ao álcool. Os consumidores de maconha chegam a 19%; tabagistas são em torno de 8%; usuários de solventes correspondem a 1%; de sedativos também é 1%; além de 1% de usuários consumidores de alucinógenos e opiáceos.

Segundo Frederico Almeida, algumas características ocorridas em conjunto, ou de forma constante, podem ser indícios de que um jovem esteja fazendo uso de algum tipo de substância psico ativa. Portanto, os pais devem ficar atentos especialmente a queda no rendimento escolar do filho, troca de grupos de amigos de forma repentina e freqüente, ou ainda olhos vermelhos.”É bom advertir aos pais que eles devem procurar ajuda de especialista quando descobrirem que o filho está sendo usuário ou dependente de algum tipo de droga. Os pais nunca devem agir por conta própria”, ressalta o psicólogo.

Cresce consumo de crack e ecstasy na PB

Dados da Delegacia de Repressão a Entorpecente da Polícia ederal na Paraíba apontam que tem havido aumento de consumo de drogas como crack e ecstasy.

O chefe do setor, Deusemar Wanderley Guedes, explica que apesar do aumento das apreensões não significarem necessariamente mais consumo, a gente tem indícios desse crescimento devido ao número maior de denúncias com relação ao crack e ao ecstasy. Já com relação à maconha, apesar das apreensões terem sido em maior quantidade este ano, sabemos que o consumo está estabilizado. Os usuários desta droga têm migrado para aquelas consideradas mais pesadas”, afirma. “Todo usuário de cocaína já passou pela maconha”, destaca.

Para se ter uma idéia, no ano passado, a PF não fez apreensão de ecstasy na Paraíba. Porém, do início do ano até esse mês, já foi recolhida uma média de 262 comprimidos. Em 2004, o órgão apreendeu algo em torno de 77 gramas de crack e de janeiro até junho deste ano já são aproximadamente 2 quilos desta droga sob o poder da polícia.

Com relação à cocaína, no ano passado não houve apreensões. Este ano já foram apreendidos quase 6 quilos da droga. Já a maconha representou no ano passado uma apreensão de cerca de 170 quilos. Porém, só neste primeiro semestre de 2005 a quantidade recolhida pela PF já chega a aproximadamente 190 quilos.

Esta semana, a Polícia Federal incinerou na Capital 342 quilos de drogas – sendo 340 quilos de maconha e 2 quilos de cocaína – que foram liberadas pelos últimos processos transitados em julgado na Justiça. A iniciativa é feita sempre uma vez por ano e simboliza a Semana Nacional Contra Drogas, lembrada em todo País.

De acordo com Dusemar Wanderley, “temos verificado que a cocaína e o crack especialmente têm uma relação muito estreita com a criminalidade”, adverte. O chefe de operações também ressalta que os lugares considerados mais críticos com relação ao consumo de drogas são os bairros onde concentram os extremos da pobreza e da riqueza. “A classe média é a menos atingida”, observa.

Outro dado interessante passado pela PF é que a faixa etária de 12 a 30 anos está no topo das estatísticas de consumo de drogas no Estado. Além disso, os centros urbanos maiores do Estado – a exemplo de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos e Cajazeiras – são os focos da distribuição de substâncias psico ativas consideradas “mais pesadas”.

“Sensação de prazer” pode custar caro

Algumas substâncias são consideradas pela população como “mais pesadas”, outros são conhecidas popularmente como “mais leves”. Mas a verdade é que tanto o álcool, como maconha, cigarro, cocaína, ecstasy, crack e uma pluralidade de entorpecentes são drogas psico ativas. Os usuários geralmente ligam o consumo à sensação de prazer, relaxamento, euforia. Porém, há aqueles consumidores que, mesmo tendo experimentado tais substâncias, aconselham as pessoas a tomarem distância delas.

O artista paraibano José Fabrício (nome fictício), hoje com 45 anos, afirma que a experiência com maconha na juventude foi apenas uma forma de ajudar a “fluir as criações artísticas. Sou uma pessoa mais recatada e ficava com a minha sensibilidade mais aberta. A maconha exagera as sensações tanto negativas como positivas. Se temos medo de algo, esse medo fica maior quando usamos maconha. Se estamos compondo uma música, a sensibilidade para isto também aumenta”, explica.

Ele conta também que foi usuário dos 27 aos 35 anos “sem nenhum dano à saúde, nem dependência. Não usava direto, apenas consumia esporadicamente. No meu caso, o problema foi o círculo vicioso que a droga trouxe em termos de companhias. Muitas vezes eu tinha que ir até a “boca de fumo” ou entrar em contato com pessoas “barra pesada” para conseguir a maconha. Aconselho os jovens a nunca entrarem nessa”, destaca.

A empresária M.M.P., de 31 anos, diz nunca ter consumido drogas como cocaína, maconha, ecstasy, ou crack. Mas, se julga incapaz de se divertir sem “encher a cara”. Assim, aos 19 anos, experimentou lança-perfume e loló. Hoje, ela não dispensa uma farra com substancial quantidade de álcool.

“Reconheço que bebo o que geralmente muito homem nem consegue beber”, admite. Para justificar a afirmação, ela exemplifica falando sobre os limites máximos para se “encharcar”. “Em uma farrinha básica, tomo tranqüilamente até duas garrafas de Martini. Se não, posso consumir até meia garrafa de uísque sozinha. Caso não tenha essas bebidas, posso encarar até umas 12 latinhas de cerveja. Mas, a pinga não tomo pura, só tomo se for intercalada com outra bebida”, diz.

Quando questionada por qual motivo ela é tão adepta ao álcool, ela chega a brincar com a situação. “Eu bebo pra esquecer meus probrema. Ó, meu pai!”, diz, fazendo referência a uma música brega popular. “Bebo para me animar. Não consigo me divertir sem beber”, fala depois, com ar mais sério.

A psicóloga R.L., de 29 anos, diz que também é adepta ao lança-perfume quando vai a eventos como os carnavais fora-de-época. “Experimentei pela primeira vez inalantes como o loló e o lança quando tinha apenas 17 anos. Até hoje faço consumo deles quando vou a carnavais fora-de-época. Também sou chegada a muito álcool. Consigo ingerir até oito doses de uísque em uma simples farra com os amigos. Divertir sem beber é complicado”, afirma.

E MAIS

O preço da sensação de prazer fugaz trazida pela droga varia bastante no mercado “negro” paraibano. O ecstasy, por exemplo, é tido como de elite. Cada comprimido sai por uma média de pelo menos R$ 50. Já o crack (derivado da cocaína) é considerado uma das substâncias psico ativas de preço mais popular. Antes ele era chamado de “cocaína dos pobres”. Cada pedra é comercializada por R$ 10. Enquanto isso, a cocaína em forma de pó é traficada por um valor de R$ 30 cada grama. A maconha chega a R$ 2 cada cigarro, que pode conter de um a dois gramas da droga.
Fonte:O Norte Online