Usuários de Natal usam Orkut para vender lança-perfume

O site de relacionamentos Orkut virou febre no Brasil. Mas, por trás do contato entre amigos há comunidades que fazem apologia ao tráfico e ao uso de drogas. Qualquer usuário tem liberdade de acesso e pode verificar até leilões virtuais onde preços de entorpecentes são discutidos. E Natal não está fora da rota do tráfico: uma comunidade de comércio de lança-perfumes já foi descoberta pela Delegacia de Repressão à Entorpecentes. Além do comércio clandestino, algumas comunidades no Orkut discutem efeitos alucinógenos de drogas como ecstasy, cocaína e levam informações sobre receitas caseiras, como o chá de fitas cassetes. Comunidades como ‘‘Todo Mundo Fuma Maconha’’ atraem mais de 26 mil pessoas. Na página ‘‘Eu Fumo Crack’’, um dos tópicos traz o título: ‘‘mortes da semana’’.

Com um nome falso, repórteres do DIÁRIO DE NATAL obtiverama registro no Orkut e tiveram acesso à comunidade ‘‘Lança Natal RN’’. No texto de abertura, o intuito da página: ‘‘Comunidade só da região para venda e compra ou tira de dúvida sobre LP’’. Nos tópicos ‘‘Compro!’’ e ‘‘Vende-se’’, criado por um internauta anônimo, oferece-se lança-perfume ao preço unitário de R$ 35,00 e a caixa, com 12 unidades, por R$ 420,00. Para efetuar o comércio ilegal, o negociante deixa seu e-mail para contato.

Um interessado no lança-perfume acessou o tópico e reclamou do preço alto e da dificuldade de se conseguir o produto hoje. O traficante deu a seguinte explicação, transcrita na íntegra: ‘‘Pq prenderam o maior traficante de lança aqui de Natal, então consequentemente o produto tá difícil e quem tem não quer se arriscar por pouco, eu comprava a 20 reais a und e 240 a caixa, semana passada comprei a esse cara aí por 420 a caixa, fazer oq ?!?!’’.

Um dos 33 membros da comunidade ‘‘Lança Natal RN’’ criou um tópico no site com o título ‘‘bala e doce’’, onde pergunta onde poderia arranjar ‘‘balinha’’ (ecstasy). ‘‘Eu sei que essa não é a comunidade certa para eu estar perguntando isso, mas se alguém tiver uma fonte de ecstasy e LSD me passa’’, disse o jovem que, segundo consta em seu perfil no Orkut, tem 17 anos de idade.

Na comunidade ‘‘Ecstasy-BR’’, um dos membros, ao responder à pergunta de um outro sobre como comprar ecstasy apontou o risco da transação: ‘‘Lógico que é conversa de CANA isso! Saiu até reportagem dessa comunidade no Globo.com’’. No entanto, os usuários em geral não parecem preocupados. Na comunidade ‘‘ecstasy’’, um jovem de Belo Horizonte convida todos os 10.970 membros para a ‘‘Festa da Bala’’, e coloca hora, local e e-mail para contato.

Nesta mesma comunidade, o preço da droga é discutido abertamente: ‘‘Por aqui nas festinha e muito dificil arrumar por menos de 35… Mas pra quem tem um canal firmeza, sai por 25, 30 dependendo da pepita’’, disse um usuário anônimo. ‘‘Aqui em Recife é exploração mas se for pegar antes do canal é no mínimo 40 reais, com intermediário, 50, e na hora da balada, 60’’, disse um outro.

Em outro tópico da página, os comentários foram à respeito de uma reportagem publicada na revista Veja. Na matéria, o repórter informa que precisou de apenas 92 segundos para ter acesso ao ecstasy em uma rave em São Roque, e comenta sobre malefícios do uso como depressão, distúrbios de pânico, entre outros. Em meio a deboches sobre o conteúdo da reportagem, uma jovem lançou um alerta, entre os 24 comentários: ‘‘Olha só essa droga é f… Droga é droga, tem q (que) saber como lidar…e se não tem auto confiança e nem é seguro de si, nem use, pq (porque) a dependência chega violentamente…vc (você) acaba tomando um depois do outro pra nao ficar deprê e tal… Gente fica esperto, ok? Se cuidem’’.

A reportagem do DIÁRIO DE NATAL criou um e-mail com identificação falsa para tentar contato com o comerciante de lança-perfume em Natal. Mas o e-mail deixado na comunidade já encontrava-se desativado.
Fonte: Diário de Natal