Tabaco é responsável por 90% das inflamações de mama não relacionadas à amamentação

Pouco conhecida pelas mulheres, a inflamação das mamas fora do período de lactação atinge, principalmente, as fumantes. Na mastite periareolar recidivante, como é chamada, o tabagismo provoca bloqueio definitivo de um ou mais canais mamários, podendo, em alguns casos, afetar a estética dos seios ou prejudicar futuras amamentações.

Diferentemente da mastite de lactação, que é causada pela entrada de bactérias pelos poros do mamilo e bastante comum nas seis primeiras semanas de amamentação, a mastite periareolar necessita de um tratamento mais prolongado com antibióticos e pode se tornar crônica, caso a paciente não diminua a quantidade de cigarros consumidos ou não abandone o hábito de fumar. O problema ocorre com maior freqüência entre os 30 e 40 anos e raramente atinge o sexo masculino.

De acordo com Afonso Celso Pinto Nazário, Mastologista e Chefe do Setor de Doenças Benignas da Disciplina de Mastologia da Unifesp, 90% das inflamações de mama não relacionadas à amamentação são causadas pelo tabaco.
Nazário explica que as glândulas mamárias produzem, durante toda a vida, secreções que, quando não absorvidas pelo organismo, são eliminadas pelos mamilos. “As toxinas do fumo provocam obstrução dos canais e o acúmulo dessa secreção glandular se torna um ambiente propício para a proliferação de bactérias”, diz. “Nos casos mais graves da inflamação, é freqüente o aparecimento de fístulas e há indicação cirúrgica para sua remoção e a dos ductos mamários afetados”.

Apesar de a mastite não evoluir malignamente, pode comprometer a estética da mama e, dependendo do número de canais atingidos, prejudicar futuras amamentações. “Uma vez bloqueado o orifício de um ducto, não há como reverter o problema. Esse canal já está comprometido para possibilitar a chegada do leite materno ao mamilo”, diz o mastologista.

Na presença de calor, vermelhidão e dor nas mamas, associada ou não a febre, Afonso Nazário alerta para a necessidade de buscar auxílio médico. “Além do tratamento medicamentoso, é importante que essas mulheres sejam encaminhadas a serviços de apoio à prevenção e abandono do tabagismo, para evitarem futuras recidivas inflamatórias nas mamas”, afirma.
Autor: Universidade Federal de São Paulo
Fonte: OBID