Campo minado do tráfico

Seis favelas no Rio e duas em Caxias já instalaram explosivos no solo para dificultar a entrada de bandidos rivais e policiais, que terão aulas sobre bombas caseiras

Sérgio Ramalho

Relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSI) da Secretaria de Segurança Pública indica que traficantes de pelo menos oito favelas do Rio – entre elas a Rocinha, em São Conrado – vêm usando bombas de fabricação caseira para transformar em campos minados alguns acessos às comunidades.

A adoção da estratégia de guerrilha urbana foi comprovada com a apreensão de três artefatos ligados por fio condutor de energia na Furquim Mendes, no Jardim América, na noite de sábado. A comunidade figura entre as citadas no documento, juntamente com Rocinha, Dique (Jardim América), Metral (Bangu), Coréia (Senador Camará), Lixão e Beira-Mar (Duque de Caxias) e Chapadão (Costa Barros).

Campo minado contra policiais e bandos rivais

A estratégia de instalar bombas em acessos às favelas tem como objetivo impedir a entrada de policiais e as invasões de quadrilhas rivais. Na Rocinha, por exemplo, os artefatos foram espalhados nas áreas próximas à mata, no alto da favela. A região é usada como refúgio e, principalmente, depósito de armas e munições da quadrilha de Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi. O trecho também liga a comunidade ao Morro do Vidigal, controlado por bandidos de facção rival.

As estatísticas de apreensão comprovam o crescente uso de artefatos produzidos de forma artesanal entre integrantes de diferentes facções. A Furquim Mendes e o Dique, no Jardim América, são controlados pelo Comando Vermelho (CV). Em contrapartida, Rocinha e Coréia, em Senador Camará, são redutos de bandos ligados ao grupo Amigos dos Amigos (ADA). O Chapadão é controlado pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).

Na noite de sábado, durante operação do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam), na Furquim Mendes, os traficantes chegaram a acionar o dispositivo para detonar as bombas. Uma falha no mecanismo permitiu a um dos policiais desconectar os fios que conduziriam eletricidade aos explosivos, que foram levados para análise no Esquadrão Anti-Bombas e no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Explosivo das bombas é desviado de pedreiras

As investigações apontam as pedreiras como principal origem do material explosivo usado na confecção das bombas caseiras. De acordo com os dados, parte é roubado ou desviado com auxílio de funcionários. O controle desse tipo de substância é feito pelo Exército.
Fonte:O Dia