Na rota do crime – Consumidor ´rico´ atrai drogas à cidade

Para delegado do Denarc, que coordenou megablitz em Piracicaba, o tráfico no município é vinculado ao alto poder aquisitivo dos jovens consumidores

O delegado do Denarc (Departamento de Investigações Sobre Narcóticos) Vladimir Constantino Oliveira afirmou que o tráfico em Piracicaba é vinculado ao alto poder aquisitivo de seus jovens. Para ele –– que foi um dos coordenadores da megaoperação de combate ao crime realizada na cidade na semana passada –– o município é um forte mercado consumidor de drogas. O delegado da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), Wilson Lavorenti, confirma que Piracicaba é destino do narcotráfico, mas não que é rota de traficantes.
O balanço final da última megaoperação das Polícias Civil e Militar, liderada pelo Denarc, deve sair amanhã. Realizadas entre quinta-feira e sábado, as blitze na cidade tiveram a participação de cerca de 70 policiais e 30 carros do Denarc e teve como resultado parcial 15 flagrantes, com 30 pessoas detidas com entorpecentes, sendo quatro adolescentes. Também foram apreendidos ao menos 350 papelotes de cocaína, 75 pedras de crack e cinco porções de maconha.
Segundo o delegado do Denarc, o tráfico de drogas é crítico em todo o interior paulista, mas existem cidades onde o crime tem se intensificado. Além do próprio município, ele apontou Itu, Sorocaba, Ribeirão Preto e Campos do Jordão como as cidades que inspiram maiores cuidados. “A droga também entra pelo interior do Estado, chegando em fazendas ou por aviões. Aliada com o poder aquisitivo dos jovens, faz com que a situação seja mais crítica em alguns municípios”, declarou.
Em Piracicaba, jovens universitários, conforme já mostrou o Jornal de Piracicaba, também passaram a traficar drogas de maior valor aproveitando a demanda, especialmente ecstasy, em que o comprimido é adquirido, em média, a 40%. Nesse primeiro semestre, oito das 80 prisões efetuadas pela Dise (Delegacia de Investigações Gerais) (10%) foram de estudantes que faziam curso superior.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Piracicaba possui 30.279 jovens entre 15 e 19 anos e 34.246 com idade entre 20 e 24 anos e a a renda média das pessoas responsáveis pelo lar chega a R$ 1.114,52.

DESTINO – Para o delegado da Dise Wilson Lavorenti, Piracicaba não pode ser considerada uma “rota” do narcotráfico, já que sua localização não implica em uma passagem obrigatória para grandes centros. “Piracicaba vem aparecendo como destino dos entorpecentes, pois tem grande fluxo de pessoas”.
De qualquer maneira, a megaoperação foi considerada positiva por ele. Nas duas primeiras noites os policiais trabalharam infiltrados. Na terceira, de forma repressiva e preventiva. Houve abordagens em bares e em bairros periféricos. O resultado apareceu também na redução de furtos e roubos de veículos, um dos principais problemas registrados na cidade.
“O objetivo foi coibir o tráfico de drogas, mas acabamos inibindo outros delitos. Quando tiramos o traficante da rua, o ladrão também fica temporariamente sem ter de quem comprar”, disse Oliveira.
O delegado do Denarc declarou ainda que os policiais locais passam a ter dificuldades em realizar esse tipo de combate ao tráfico, pois passam a ser conhecidos entre os traficantes, mas tiveram papel determinante para os bons resultados. Segundo Lavorenti, os trabalhos foram importantes, especialmente pelo aumento do efetivo. “Com o maior contigente, temos como dar uma resposta mais ampla à população”.
Fonte:Jornal de Piracicaba