Portugal, Espanha e Brasil dão rude golpe no tráfico

-> drogas Contentor apreendido no Brasil com 1430 quilos de cocaína destinava-se a grupo detido pela PJ no Cadaval Total de cocaína apreendida já é igual a toda a apresada em 2004

Valdemar Pinheiro

Ocontentor no interior do qual a Polícia Federal Brasileira confiscou, no fim-de-semana, 1.430 quilos de cocaína no porto de Santos, S. Paulo, era destinado à rede desmantelada pela PJ há pouco mais de uma semana, no âmbito da operação Zebra. A rede era uma das mais importantes a operar na Península Ibérica e o seu fim está praticamente consumado depois de uma série de operações que envolveram as polícias espanhola portuguesa e brasileira, dos dois lados do Atlântico.

A cocaína vinha dentro de sacos de carvão vegetal,num de seis contentores destinados ao porto de Lisboa, e foi descoberta no decurso de uma operação de rotina pelos serviços alfandegários. As averiguações que se seguiram viriam a revelar, no entanto, que a carga de drogas pertencia a um grupo de traficantes, que não só estava a ser investigado há vários meses pela Polícia Federal Brasileira, como tinha já sido atacado nas últimas semanas pela Polícia Judiciária Portuguesa e pela Guardia Civil espanhola.

Do lado português, a actividade da rede tornou-se visível com a operação “Zebra”, da Polícia Judiciária, que resultou na detenção de três indivíduos, entre os quais um guarda prisional e na apreensão de 585 quilos de cocaína numa herdade do Cadaval (ver caixilho). Anteriormente, em Espanha, quatro colombianos, um guatemalteco e um espanhol, que integravam a mesma organização, tinham já sido detidos.

Empresário foi usado

Ontem mesmo, a PJ inquiriu o dono de uma churrasqueira da região de Évora, que seria o destinatário dos contentores, tendo concluido que terá sido enganado, pois pensava estar a importar carvão vegetal para a sua actividade na área da restauração. “A pessoa em causa agiu de boa-fé”, assegurou uma fonte da PJ ao JN, no final do interrogatório ao empresário, que foi libertado.

Poderosa organização

Inicialmente tida como uma apreensão isolada, depressa a PJ e a Polícia Federal Brasileira encontraram ligações mais complexas na questão dos contentores de Santos, designadamente através de documentação recolhida durante a operação Zebra, referente aos mesmos contentores. Por outro lado todo o esquema encaixava na perfeição numa investigação em larga escala que continua a ser desenvolvida pela Polícia Federal .

Segundo José Braz, responsável pela Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária, “estes elementos de prova serão integralmente considerados na investigação em curso e reforçam a convicção inicial de estar-se na presença de uma poderosa organização com intensa e diversificada actividade de tráfico internacional e branqueamento de capitais, entre a América do Sul e a Europa”.

Guarda prisional afastado

Os inspectores da Polícia Judiciária confiscaram 585 quilos de cocaína numa exploração agro-pecuária, no Cadaval no dia 27 de Julho último. Dois empresários, pai e filho, e um guarda-prisional, com idades entre os 22 e 48 anos foram detidos no decurbso da acção. O guarda prisional, que prestou serviço na Área Prisional junto à PJ, encontrava-se com licença sem vencimento e, segundo o JN apurou,agora, foi “convidado” abandonar definitivamente a corporação pelo próprio director-geral dos serviços prisionais, Miranda Pereira. Já existiam suspeitas sobre o referido guarda, que , em Janeiro último, na província de Badajoz, Espanha, tinha já sido encontrado pela Guarda Civil a transportar 2,5 milhões de euros, que foram confiscados.

Na operação em Portugal, a PJ apreendeu, ainda, 941,160 euros, sete veículos, quatro deles topo de gama e 18 armas de fogo, 16 das quais caçadeiras, além de dezenas de munições.
Fonte: Jornal de Notícias – Portugal