Questionário AUDIT atua como instrumento de rastreamento para a dependência de álcool

Visando a prevenção de problemas decorrentes do abuso do álcool, na década de 80 a Organização Mundial de Saúde – OMS desenvolveu um instrumento de rastreamento para a dependência de álcool (o questionário AUDIT), e propôs estratégias de intervenções breves para o uso abusivo da substância. Essa forma de trabalho de reconhecimento precoce e intervenção rápida recebeu no Brasil o nome de Estratégias de Diagnóstico e Intervenções Breves – EDIBs. A atenção primária à saúde – APS, por ser o nível de atenção mais próximo à comunidade, foi escolhida como palco para o uso das EDIBs.

Em setembro de 2002, a OMS, em parceria com o Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao Uso de Álcool e Drogas na Comunidade – PAI/PAD da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, desenvolveram um programa de treinamento que vem sendo realizado periodicamente, atendendo prioritariamente as equipes do Programa de Saúde da Família – PSF e outros profissionais de saúde da rede pública. O treinamento – que abordou assuntos como o uso excessivo de álcool como problema de saúde pública, o papel dos profissionais de saúde na prevenção de problemas relacionados ao uso de álcool, conceitos em relação ao uso de álcool (dose padrão, beber de baixo risco, etc.) – teve como principal objetivo a capacitação dos profissionais de equipes do PSF para o emprego das EDIBs.

Artigo recentemente publicado na revista eletrônica Saúde Mental, Álcool e Drogas – SMAD, investigou e avaliou os benefícios advindos desse treinamento, do ponto de vista dos profissionais que receberam a capacitação.

Após quatro meses da realização do treinamento, foram realizados grupos com os profissionais, para a avaliação do treinamento e da implantação das EDIBs. Esses grupos abordavam dois temas: um relacionado ao treinamento em si e aos conteúdos abordados por ele, e outro relacionado à implementação das EDIBs.

Os resultados detectaram vários benefícios da realização do treinamento. Entre eles, a mudança e a expansão da visão dos profissionais em relação ao uso problemático de álcool, que passaram a entender e detectar os vários graus da dependência, e não só o nível mais grave e visível. A dependência de álcool, na visão dos profissionais, também passou de algo do campo da moral para tema do campo da saúde, assumida como doença após o treinamento. Houve detecção de maior percepção por parte dos profissionais do “beber socialmente” como um possível fator de risco para o desenvolvimento de dependência. Outros resultados benéficos foram percebidos pelo estudo, como uma maior capacitação e conhecimento de conceitos técnicos sobre a dependência de álcool. Esse maior conhecimento sobre o assunto resultou em mais facilidade e preparo na abordagem dos pacientes, tornando-a menos invasiva.

O estudo concluiu que ao se investigar os benefícios percebidos pelos profissionais treinados, foram identificados benefícios relacionados aos conhecimentos adquiridos e também a mudanças de atitude, o que se mostrou útil tanto nas abordagens diárias dos pacientes, quanto para a construção de trabalhos preventivos.

Título: Capacitação de profissionais do Programa de Saúde da Família em Estratégias de Diagnóstico e Intervenções Breves para o uso problemático de álcool.

Fonte: Revista Eletrônica Saúde Mental, Álcool e Drogas – SMAD, Volume 01, nº 01, 2005, artigo 03. Sítio: http://www.eerp.usp.br/index.html

Autor: Corradi-Webster, Clarissa M.; Minto, Elaine C.; Aquino, Fabrízia Maria C. de; Abade, Flávia; Yosetake, Lincoln Luiz; Gorayeb, Ricardo; Laprega, Milton Roberto; Furtado, Erikson Felipe
Fonte: OBID