Fumantes freqüentam grupos e pedem ajuda em busca de vida mais saudável

Uma salinha na Igreja Nossa Senhora da Esperança, na entrequadra 307/308 Norte, reúne pessoas com histórias de vida dedicadas a uma dependência perigosa, que deixa seqüelas, que mata: o tabaco. São pessoas que se reúnem, uma vez por semana, no grupo Fumantes Anônimos. Nas reuniões, às quartas-feiras, às 20h, elas contam suas histórias e pedem ajuda para largar a dependência para ter uma vida mais saudável.

Sebastião, 52 anos, fumou o primeiro cigarro aos nove anos, oferecido pelo pai. Há quatro meses, ele descobriu que sofria de uma isquemia cerebral causada pelo fumo. Tião, como gosta de ser chamado, resolveu procurar o Fumantes Anônimos para abandonar a dependência.

Patrícia, 36 anos, freqüenta o grupo há três anos. Ela fumava até duas carteiras de cigarro diariamente. O hábito durou 17 anos. “Meu grau de dependência era tão alto que eu cheguei a fumar durante a gravidez”, conta. Antônio, por exemplo, passou 51 dos seus 70 anos fumando sessenta cigarros, por dia. Durante muito tempo o cigarro foi seu companheiro nas noites em que passou trabalhando. “Usei goma, adesivo e remédios, mas não consegui largar o cigarro”, relata. Até que resolveu tomar uma atitude e, em 2001, foi um dos criadores dos Fumantes Anônimos de Brasília.

Sebastião, Patrícia e Antônio são algumas das pessoas que se reúnem na salinha da paróquia. Patrícia está desde setembro longe do cigarro. Antônio não dá uma tragada há três anos, e Tião, o mais “novo”, está há apenas 11 dias sem cigarro. “Eu não conseguia parar sozinho. Foi aqui que encontrei forças”, garante. Para participar, basta ir a uma reunião. Não há custos, formalidades, nem pré-requisitos. Nos quatro anos de existência, foram mais de cem reuniões. Os freqüentadores dizem que mais de 30 pessoas largaram o fumo após passar pelo Fumantes Anônimos. “Infelizmente, muitos abandonam por falta de persistência para continuar nas reuniões”, diz Patrícia.

Além dos Fumantes Anônimos, os dependentes de nicotina têm ajuda em uma das 25 unidades de tratamento do tabagismo vinculadas à Gerência de Prevenção do Câncer da Secretaria de Saúde. A gerência oferece, gratuitamente, equipes para suporte aos fumantes com profissionais capacitados para lidar com o tabagismo. Para se inscrever, o fumante deve procurar a regional mais próxima. A lista de espera para atendimentos nos grupos de ajuda, que oferecem medicamentos gratuitos para os fumantes com alto grau de dependência, é de cinco mil nomes
Autor: JBrasilia
Fonte: OBID