A influência do alcoolismo no prognóstico e tratamento da tuberculose

A tuberculose é um problema com acentuadas características sociais. Os casos da doença estão, na maior parte, relacionados a doenças que interferem nas defesas imunológicas (sarampo, Aids, alcoolismo, entre outras); uso de drogas imunossupressoras e desnutrição. Assim, o aumento da pobreza, a emergência da Aids, e a desinformação vigente sobre nutrição, promoção da saúde e prática de vida saudável, têm sido requisitos para o agravamento do problema.

Observando a relevância da doença para a saúde pública, e sua forte relação com o uso de álcool, estudo publicado na Revista Eletrônica Saúde Mental, Álcool e Drogas – SMAD, realizou uma revisão da literatura existente, com o objetivo de identificar trabalhos que mostrassem associação entre alcoolismo e tuberculose. A revisão enfocou as questões referentes à infecção, à doença em si, e ao tratamento.

Os resultados quanto à infecção mostraram que esta pode ocorrer em qualquer pessoa e em qualquer idade, bastando para isso o contato com pessoas já infectadas (a infecção não implica necessariamente o desenvolvimento da doença). No Brasil, a infecção ocorre mais comumente na infância, o que sugere que o alcoolismo não tem relação direta com a contaminação e transmissão do bacilo da tuberculose.

Quanto ao desenvolvimento da doença, estima-se que um terço da população esteja infectada pelo bacilo da tuberculose e que apenas em torno de 10% dessas pessoas adoece. O alcoolismo crônico, em razão de estar associado à queda da imunidade, desnutrição, fragilidade social, exposições a situações de risco, entre outros, é considerado importante fator de risco para o desenvolvimento da tuberculose.

O abandono do tratamento e o risco de desenvolvimento de efeitos colaterais aos medicamentos antituberculose pelos alcoolistas, são maiores quando comparados aos não-alcoolistas. Isso determina algumas ações específicas no Programa de Controle da Tuberculose – PCT, como a indicação do Tratamento Diretamente Observado – DOTS, a esses pacientes.

As autoras do estudo chegaram à conclusão de que o alcoolismo, por si só, já exerce influência sobre o prognóstico e tratamento da tuberculose. Além disso, muitas vezes o abuso de álcool vem associado com baixa qualidade de vida, identificada por más condições higiênicas, má distribuição de renda, má nutrição, baixa resistência imunológica, pouco desejo de viver e pouca aceitação do tratamento, o que intensifica ainda mais um desfecho desfavorável em relação ao tratamento da doença. O alcoolismo deve ser mais valorizado pela equipe de saúde que trabalha diretamente no tratamento de pessoas com tuberculose, que deve tentar encontrar meios mais precisos de identificar esses pacientes, e oferecer tratamento concomitante para alcoolismo. Toda orientação em relação ao uso das medicações por pacientes alcoolistas deve enfatizar que a ingestão de bebidas alcoólicas aumenta o risco para o desenvolvimento de efeitos colaterais, cabendo, portanto, aos profissionais a observação contínua e sistematizada desses pacientes durante o tratamento da tuberculose.
Título: A influência do alcoolismo no prognóstico e tratamento da tuberculose
Fonte: Revista Eletrônica Saúde Mental, Álcool e Drogas – SMAD, Volume 01, nº 01, 2005, artigo 07.
Sítio: http://www.eerp.usp.br/index.html
Autor: Andrade, RLP; Villa, TCS; Pillon, S.
Fonte: OBID