Pesquisa liga consumo excessivo de álcool a mortes no trânsito – SP

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está relacionado a 42,5% dos acidentes de trânsito com mortes da cidade de São Paulo, segundo pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde SES/SP.

Foram analisados laudos de 454 pessoas que morreram em acidentes de trânsito e tiveram exames de dosagem alcoólica realizados. Do total, 194 apresentaram concentração alcoólica no sangue acima de 0,6 g/l (gramas por litro), o máximo permitido pela legislação brasileira.

A quantidade de álcool necessária para atingir essa concentração no sangue é equivalente a duas latas de cerveja ou três copos de chope, duas taças de vinho ou 80 ml de destilados (duas doses), de acordo com a secretaria.

“É um número alto, mas é uma realidade. Um dos objetivos [da pesquisa] é demonstrar esse impacto e não apenas dizer que álcool faz mal”, disse Vilma Gawryszewski, Coordenadora do Grupo Técnico de Prevenção de Acidentes da Secretaria.

Para ela, apesar de o estudo ter sido feito com base apenas em laudos do Instituto Médico Legal – IML, de vítimas que passaram por exame de dosagem alcoólica, o resultado pode ser estendido a outros mortos em casos de acidente de trânsito. “Testes estatísticos permitem generalizar”, disse.

Perfil

O estudo foi realizado no segundo semestre de 2001 e revelou que os homens apresentaram maior proporção de uso de álcool que as mulheres.

As maiores concentrações alcoólicas foram encontradas em jovens de 20 a 29 anos do sexo masculino, solteiros e que morreram no próprio local do acidente, um indicativo que as vítimas estavam em alta velocidade, segundo a Secretaria.

“O álcool potencializa o risco de acidentes, principalmente em jovens que não têm tanta experiência ao volante”, afirma a Coordenadora do Grupo Técnico.

Mortes

De acordo com a pesquisa, a taxa geral de mortalidade por acidentes de trânsito foi de 14 por 100 mil habitantes. Entre os homens esse índice foi de 11,2/100 mil. Já entre as mulheres, de 3,1/100 mil.

O estudo mostrou, ainda, que os pedestres lideram a maioria das mortes (6,8 para 100 mil), seguidos pelas vítimas envolvidas nas colisões de veículos (5,8 para 100 mil) e pelos motociclistas (1,4 para 100 mil).
Autor: Folha Online
Fonte: OBID