Tabagismo: Efeitos sobre o cérebro

Absorção orgânica da nicotina

 Existe uma diferença entre quem utiliza o tabaco na forma de cigarro e quem faz uso de charutos ou cachimbos. O tabaco usado para produzir cigarros é ácido e, por isso, o fumante precisa tragar para que a nicotina seja absorvida nos pulmões; já o utilizado para a produção de charutos e cachimbos é alcalino, permitindo que a nicotina seja absorvida pela mucosa da boca. Isso explica por que os fumantes destes dois últimos não têm tanta necessidade de tragar o fumo para se satisfazer. (Inca: www.inca.gov.br/tabagismo)
 
Estudos de absorção de nicotina, marcada com carbono 14, revelam diferenças na sua absorção nos organismos. “Os não tragadores acusaram 22% a 42% de nicotina retida na cavidade oral, enquanto nos tragadores, ela foi absorvida entre 70% a 90% da dose tragada. Os que aspiravam imediatamente a nicotina retida na boca, a absorção foi de 40% a 50%”. (Rosemberg, 2005)
 
 Efeitos  agudos
 
São os efeitos que podem ser percebidos imediatamente, ou poucos minutos, dependendo da droga, após o consumo de uma substância. Dependendo de como se usa o tabaco, a nicotina pode chegar a níveis muito altos na corrente sangüínea e no cérebro: ao fumar cigarros há uma rápida distribuição de nicotina por todo o corpo. Por outro lado, no caso do cachimbo e do charuto, que geralmente não são tragados, ela é absorvida mais lentamente por meio das membranas mucosas da boca.

A nicotina age no sistema nervoso central – SNC, acelerando a transmissão dos impulsos nervosos entre os neurônios. Estes liberam, então, substâncias neurotransmissoras (como a dopamina) que produzem a sensação de euforia, falta de sono, elevação leve no humor, diminuição do apetite e relaxamento. Essa sensação é provocada pela diminuição do tônus muscular.

Os resultados gerais são: aumento dos batimentos cardíacos, da pressão arterial, da freqüência respiratória e da atividade motora. No sistema digestivo, diminui as contrações do estômago, dificultando a digestão.
 
Ao término dos efeitos estimulantes, o usuário habitual de tabaco pode sentir  irritabilidade, agitação, prisão de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de cabeça, levando-o  a buscar mais nicotina.
 
Efeitos crônicos
 
Referem-se aos efeitos do uso prolongado de substâncias. No caso do tabaco, o uso intenso aumenta a probabilidade de ocorrência de algumas doenças como, infarto do miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, acidente vascular cerebral – AVC, úlcera digestiva, entre outras.
 
Pesquisadores detectaram redução de testosterona e dificuldades na capacidade de ereção em fumantes crônicos. Quanto às mulheres, apontaram para a piora dos sintomas menstruais (dor, depressão, irritabilidade, dor de cabeça, etc.) (Peugh e Belenko, 2001).
 
O tabaco tem potencial cancerígeno que é certamente um dos mais importantes aspectos estudados. O fumo contém cerca de 80 substâncias cancerígenas, entre as quais se destacam o benzopireno e nitrosaminas. Há também estudos mostrando que as pessoas que fumam de 1 a 2 maços de cigarros por dia, vivem cerca de 8 anos menos do que aqueles que não fumam.  
 
A nicotina, em fumantes iniciantes, pode melhorar o desempenho em tarefas de atenção. Entretanto, os usuários crônicos desenvolvem rapidamente tolerância, e provavelmente não continuam a obter essas melhorias de desempenho, nos processos cognitivos, ou no humor (Sharma, 2004).
 
Outros problemas de saúde relacionados ao fumo merecem ainda ser citados: a  arteriosclerose, a apnéia, a retardação do crescimento fetal, a mortalidade pré-natal, o nascimento de crianças abaixo do peso, etc. (Sharma, 2004).
Fonte:OBID(26/08/2005)