Tabagismo: Fumo passivo e durante a gestação

Fumo passivo

Os fumantes não são os únicos atingidos com os malefícios do cigarro. Os chamados “fumantes passivos”, aspiram involuntariamente uma combinação de mais de 4.000 substâncias contidas na fumaça expelida que poluem os ambientes, principalmente os fechados. Rosemberg (2005), afirma que “após uma manhã em recintos onde se fuma, os fumantes passivos podem ter concentrações de nicotina no sangue equivalentes aos fumantes de três a cinco cigarros”.
 
Um cigarro aceso produz dois tipos de fumaça: a que o fumante aspira e depois devolve ao ambiente e a chamada “lateral”, aquela que o não-fumante entra em contato. Esta última sai diretamente do cigarro e por não passar por nenhum filtro, possui as mesmas substâncias tóxicas que a primeira em concentrações ainda maiores.
 
Os primeiros sintomas observados após a inalação passiva de fumaça são: irritação nos olhos, congestão nasal, tosse, dores de cabeça e alergias. Pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde – OMS, concluiu que fumantes passivos adultos podem desenvolver câncer (pulmão, mama e colo do útero), doenças do coração (infartos e anginas). Já as crianças que inalam a fumaça do cigarro, podem vir a ter bronqueolite, bronquite catarral, pneumonias, broncopneumonia, intensificação de acessos de asma, dor de ouvido, amigdalite, sinusite, surdez, diminuição da capacidade respiratória, menor estatura e maior risco de câncer de pulmão na idade adulta.
 
De acordo com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam três vezes mais riscos de contrair infecções respiratórias do que filhos de pais não-fumantes.
 
Tabagismo na gravidez

 Aproximadamente 80% das mulheres que fumam antes da gravidez continuam a fumar enquanto grávidas. As mulheres que fumam durante o período de gestação correm maiores riscos de que seus filhos nasçam prematuros ou com peso abaixo do normal.
Tudo isso acontece porque ao tragar a fumaça do cigarro, componentes tóxicos como a nicotina e o monóxido de carbono, chegam até os pulmões e vão para a corrente sangüínea da mãe. O coração bombeia o sangue “intoxicado” para todo o corpo da mulher, chegando até o bebê. O monóxido de carbono entra no sangue da mãe, diminuindo a quantidade de oxigênio circulante. A placenta não impede a passagem de moléculas pequenas como a nicotina, que contaminam o bebê.
 
A nicotina facilmente cruza a placenta, causa o estreitamento dos vasos e faz com que menos nutrientes cheguem ao feto. Como resultado, as concentrações desta substância no feto podem ser até 15% mais altas do que os níveis maternos.

Para os bebês

Os filhos de fumantes apresentam um maior risco de se tornarem obesos que as crianças cujas mães não fumavam. O fumo na gravidez é responsável por 20% dos casos de crianças com baixo peso ao nascer e 8% dos partos prematuros. Doenças alérgicas como o eczema alérgico e problemas de comportamento nos três primeiros anos do desenvolvimento da criança (agressividade, oposição, agitação), são mais freqüentes nos filhos de mulheres que fumam durante a gravidez. Além disso, o bebê pode nascer com o coração, o cérebro e os pulmões afetados. (Leopércio e Gigliotti, 2004)
Filhos de gestantes fumantes apresentam maior predisposição de se tornarem dependentes caso experimentem tabaco. A justificativa deve-se ao fato de que a exposição à nicotina pode alterar a estrutura do cérebro do feto, tornando-o mais propenso a se tornar dependente quando em contato com cigarros na idade adulta. (Leopércio e Gigliotti, 2004)

Mães que fumam na gravidez são propensas a continuar fumando depois do parto. Na mulher, a nicotina diminui significantemente os estrógenos, provocando apressamento da menopausa e aumento do risco de osteoporose. A nicotina diminui a fertilidade da mulher, pela ação tóxica sobre os ovócitos. Quando a mulher fuma durante a gestação, a nicotina diminui a eficiência dos reflexos respiratórios do feto, aumentando o risco da síndrome da morte súbita infantil. Há registros de acidentes cardio-respiratórios de lactentes em casos cuja mãe fuma durante a lactação, já que a nicotina está presente no leite materno. (Rosemberg, 2005)
Fonte:OBID