Sexo frágil para o álcool

Há 10 anos, a proporção era de oito homens para uma mulher com problemas com drogas; atualmente, é de quatro homens para uma mulher. E a previsão é de que, na próxima década, seja de um homem para uma mulher.

Os números são alarmantes. Os efeitos do álcool – droga mais consumida entre as mulheres – no organismo feminino são mais devastadores do que no masculino.

“Essa sensibilidade das mulheres ocorre devido à maior proporção de gordura e menor de água do corpo feminino. O álcool ingerido é diluído nesta água, resultando em aumento da concentração”, explica a Presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas – ABEAD, Ana Cecília Marques.

Os homens e as mulheres reagem de forma diferente aos efeitos do álcool. Isso acontece devido à ação de substâncias chamadas neuroesteróides, que deixam o organismo mais vulnerável. Estas substâncias explicam a dependência química e também o fato de os problemas físicos associados à bebida progredirem mais rapidamente nas mulheres.

“As mulheres exibem menor atividade de uma enzima chamada álcool desidrogenase no estômago, que é a responsável pela metabolização do álcool”, ressalta Ana Cecília.

Entre as conseqüências sofridas pelo exagero feminino estão a interrupção das menstruações, tensão pré-menstrual, problemas de fertilidade e menopausa precoce, entre muitas outras. “Buscando se igualar aos homens na sociedade, muitas mulheres adquiriram o hábito de beber tanto quanto eles, sem notar que os males são muito piores para elas”, explica a Psicóloga Maria Luisa Guedes, ressaltando que entre os adolescentes o hábito é crescente.

As jovens de hoje em dia estão testando cada vez mais o seu limite e acabam exagerando. As escolas e os pais devem se preocupar em informar a essas adolescentes quanto aos danos que podem causar ao organismo.
Além desses males, mulheres estão muito mais propensas às doenças associadas ao uso de álcool. Elas apresentam taxas mais elevadas de problemas no fígado do que os homens. É provável, também, que a ação dos hormônios femininos contribua para piorar o dano ao fígado causado pelo álcool.
Fonte: Jornal do Brasil