Intoxicações acidentais com crianças têm maior incidência durante a noite

Pesquisa mostra que a via de exposição mais freqüente é a oral, representando 88,4% do total de casos

A prevalência de intoxicações não intencionais, principalmente por meio da ingestão ou contato com medicamentos, é alta. Para se ter uma idéia, somente em 2000 foram registradas 8.904 notificações desse tipo, de acordo com dados da rede do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – Sinitox, da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz. As crianças estão mais sujeitas a intoxicações acidentais, em função de sua curiosidade e menor noção de risco. Nesse sentido, pesquisadores da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre e da Universidade Luterana do Brasil resolveram identificar o perfil das intoxicações em crianças com idade de 0 a 4 anos notificadas no Centro Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul no ano de 2003 e os fatores de risco para as ocorrências.

A coleta dos dados foi feita por meio de entrevistas com os responsáveis legais das crianças com intoxicação. De acordo com artigo publicado na edição de julho/agosto de 2005 dos Cadernos de Saúde Pública, “por estarem na fase oral, as crianças se relacionam com ambiente por meio da prática de levar objetos e substâncias à boca. Além disso, é muito comum que pais e responsáveis pela guarda subestimem seus atos”.

Os pesquisadores constataram que dos 11.859 casos registrados no Centro entre primeiro de janeiro a 31 de agosto de 2003, 593 foram de intoxicação acidental individual em crianças de 0 a 4 anos de idade. A maioria das solicitações veio dos hospitais e das ligações residenciais. Eles observaram também que 28,5% dos acidentes ocorreram com crianças com um ano de idade, sendo a maior parte do sexo masculino. A via de exposição mais freqüente foi a oral, representando 88,4% do total de casos e o horário mais comum o compreendido entre 18h e 22h.

No que se refere ao tipo de intoxicação, a equipe verificou que a maioria foi classificada como não-tóxica, e que, dos 593 casos, 578 evoluíram para a cura: “verificou-se também que os medicamentos foram os mais freqüentes, com 250 casos, sendo os mais comuns os analgésicos. Entre os de uso doméstico, verificou-se maior freqüência dos alvejantes”. Além disso, a maioria dos agentes tóxicos encontrava-se no chão. Em cerca de 75% dos casos, os responsáveis pelas crianças eram os pais.

Dessa forma, os pesquisadores alertam para a necessidade de desenvolver ações preventivas mais efetivas. “Para que isso ocorra com embasamento, deve-se identificar as características dos indivíduos que buscam o Centro de Intoxicação Toxicológica, visando a diminuir os riscos de futuros acidentes, já que a definição do perfil possibilita orientar e incrementar as campanhas de prevenção de acidentes tóxicos na infância”, dizem.
Fonte:Agência Notisa de Jornalismo