Universidade de Juiz de Fora participa de estudo nacional sobre alcoolismo

(Estado de Minas)
Quatro universidades brasileiras, entre elas a federal de Juiz de Fora, na Zona da Mata, vão auxiliar, a partir do ano que vem, as secretarias municipais de Saúde na prevenção do alcoolismo, que afeta 18 milhões de pessoas no Brasil. O grupo de cientistas que lidera o projeto pretende repassar aos municípios estratégias para a prevenção da doença. Paralelamente, também vai combater os preconceitos que envolvem o alcoolismo, tanto por parte dos profissionais de saúde quanto dos dependentes.

“A idéia não é partir para a repressão”, afirma o professor Telmo Ronzani, coordenador do curso de psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e autor de uma tese sobre alcoolismo. O projeto, que tem o apoio da Organização Mundial de Saúde, prevê o treinamento dos agentes de saúde da família, profissionais que estão na linha de frente na defesa da saúde do País. Os profissionais receberão um questionário, com dez perguntas, destinado a detectar em que nível a pessoa se enquadra em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, em grau que pode variar da abstinência à dependência.

O questionário Audit, sigla em inglês para o termo “teste de identificação de desordens do uso do álcool”, foi desenvolvido pela OMS. Numa primeira etapa, o projeto será centralizado em Juiz de Fora, São Paulo, Ribeirão Preto (SP), Diadema (SP) e Curitiba (PR). “Vamos fazer avaliações constantes para, em seguida, distribuir o modelo em todo o Brasil”. Além da UFJF, os trabalhos sobre essa nova forma de abordagem do alcoolismo também estão sendo desenvolvidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Prevenção

A tese de doutorado do professor Ronzani comprovou, por meio de entrevistas e questionários, que a política nacional de prevenção ao alcoolismo é precária. O levantamento foi feito de 2003 a 2004. O primeiro motivo apontado para essa insuficiência é a formação inadequada dos profissionais de saúde. Também constata que há forte preconceito desses profissionais em relação aos doentes. “Eles não gostam de atender os usuários de álcool, pois acreditam que eles sofrem de problemas morais e não de saúde”, afirma.

De acordo com Ronzani, o próprio alcoólatra pensa e age dessa forma, só enfrentando o problema quando já está dependente. “A cultura geral é muito permissiva em relação ao álcool”, diz. Para o professor, o último fator que evidencia como o alcoolismo vem sendo negligenciado no País é falta de uma política de prevenção por parte do governo.

Graças à qualidade do estudo – que contou com a participação de pesquisadores alemães da Unidade de Dependência de Droga (Uded) da Unifesp –, Ranzoni foi convidado a apresentar sua tese num congresso internacional, na Universidade de Muenster, na Alemanha, mês passado, quando também atuou como professor convidado de um grupo de pesquisas da Universidade de Mannheim, que avalia o uso de álcool e drogas entre adolescentes alemães.
Fonte:Diário da Tarde