Violência contra mulheres e crianças está ligada ao consumo de álcool, diz especialista

O Senador Augusto Botelho afirmou que a agressão à mulher e à criança, no Brasil, estão ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Ele, que além de Médico é integrante da Subcomissão de Saúde e membro da Câmara Especial de Políticas Públicas sobre o Álcool, acrescentou, no estúdio da TV Nacional em Brasília, no programa Diálogo Brasil, que 50% dos acidentes de trânsito têm ligação com as bebidas alcoólicas. Botelho fez uma sugestão para resolver o problema: “Temos que desenvolver uma política e colocar frases mais agressivas nos rótulos das embalagens”.

Também no estúdio da TV Nacional, a Diretora de Prevenção e Tratamento da Secretaria Nacional AntiDrogas – Senad, Paulina Vieira Duarte, disse que é muito difícil conviver com pessoas que tem problemas relacionados ao álcool, mas é possível procurar ajuda e reverter o quadro. “A fronteira entre o beber problemático e o beber social é muito tênue”, afirmou. Para ela, o consumo entre menores é preocupante e o problema se deve à falta de fiscalização. Ela concordou com a sugestão do Senador e acrescentou: “Deve haver no rótulo uma imagem mais forte do que o slogan ‘se beber não dirija’”.

Sobre os acidentes provocados pelo consumo da bebida alcoólica, o Publicitário Lula Vieira, membro do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – Conar, afirmou que é mais fácil proibir o carro do que a bebida. “O problema não é discutir se está bebendo demais, mas saber quais são as causas que levam o cidadão à bebida”, disse no estúdio da TV Cultura, em São Paulo. Para ele, as propagandas não podem induzir o consumo aos menores: “Hoje o Conar não permite que ninguém que pareça ter menos de 25 anos apareça no comercial. O consumo não pode levar o indivíduo a crer que se tornará mais inteligente, terá um desempenho sexual melhor ou dirijirá melhor”.

Ainda no estúdio da TV Cultura, em São Paulo, Marcos Mesquita, Superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja -SINDICERV, declarou que as propagandas não são a questão principal, mas o abuso do consumo: “Proibir a publicidade de cervejas resolverá o problema? Não. A solução é a mudança comportamental e isso só conseguiremos com ações educativas e parcerias”.
Fonte: Agência Brasil