Brasil tem 22 milhões de alcoolistas

No Brasil, pesquisas informam que o alcoolismo atinge entre 10% e 13% da população. Ou seja, são pelo menos 17 a 22 milhões de pessoas dependentes do álcool. Outros estudos mostram que 84% da população fazem uso ocasional da bebida. Este é o tema central do “I Simpósio Franco-Brasileiro de Alcoologia na Amazônia”, que começou no dia 31/10, em Belém e que prossegue hoje, 01/11. Abordando a questão do “Alcoolismo, uma questão de saúde pública”, o objetivo é promover o debate, como forma de fortalecer políticas públicas de atenção ao uso e abuso do álcool em todos os setores da sociedade. Para falar sobre o assunto, dois Especialistas foram convidados: o Professor Doutor Didier Playoust, Chefe do Serviço de Alcoologia Clínica do Centro Hospitalar de Tourcoing, na França; e o Professor Doutor José Mauro Braz Lima, Vice-Diretor do Instituto de Neurologia Deolino Couto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. José Mauro também Preside a Sociedade Brasileira de Alcoologia – SBA, além de ser membro da Sociedade Francesa de Alcoologia – SFA.

O Especialista do Instituto de Neurologia da UFRJ afirmou que não existem dados precisos sobre o alcoolismo no Brasil. Entretanto, estimativas feitas mostram que um terço dos internamentos em hospitais de todo o Brasil são relacionados a problemas com o álcool. “Esse é um dado alarmante. Se considerarmos ainda os atendimentos de emergência nos finais de semana, 80% deles têm alguma relação com o álcool”, complementou. Na opinião de José Mauro, é preciso que sejam criadas políticas públicas para reverter este quadro.

Para o Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes – Conen/Pa, José Haroldo Teixeira da Costa, o álcool provoca inúmeros danos, que afetam inclusive a habilidade de desempenho dos trabalhadores. “O trabalho de uma pessoa alcoolizada fica comprometido. Além disso, é importante lembrar também que cada copo de chope tomado leva no mínimo quatro horas para sair do organismo”, salientou.

De acordo com ele, a ingestão em quantidades elevadas do álcool pode levar a uma série de doenças, como hipertensão arterial e diabetes. Outro ponto lembrado por Haroldo é a relação entre o álcool e o trânsito. “Podemos dizer que o álcool e trânsito são questões de saúde pública. Estima-se que 75% dos acidentes de trânsito no Brasil, com resultados fatais, estejam relacionados com o uso de álcool”, complementou.

No Pará, garantiu o Presidente do Conen, ainda não existem estudos e dados precisos sobre o consumo do álcool e suas conseqüências. “Esta é uma das grandes dificuldades que enfrentamos. Um dos objetivos deste Simpósio é fazer justamente um levantamento destes dados, para que as ações de prevenção sejam tomadas”, afirmou. Segundo ele, a vinda do Especialista da França é uma maneira de trocar informações, uma vez que lá o problema do uso indevido do álcool é evitado com políticas de prevenção. “Na Europa, a população tem a tradição de ingerir vinhos e outras bebidas. Mesmo assim, o Governo francês implementa políticas para que este consumo não seja excessivo, como é no Brasil”, explicou. José Haroldo enfatizou também que a ingestão de pequenas quantidades de álcool é permitida. “Sabemos que uma pequena dose ajuda na circulação sangüínea, além de outros benefícios. O que queremos deixar claro é que o problema está no excesso da bebida”, complementou.
Fonte: Amazônia Jornal