Cultivo do ópio em Myanmar cai mais de 25%

Viena, 1 o de novembro de 2005 – Pesquisa do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime – UNODC revela que o cultivo de ópio em Myanmar sofreu uma queda de 25% em 2005 em relação ao ano anterior e hoje é 80% menor que o pico de produção verificado em 1996. A edição 2005 da Pesquisa sobre o Ópio em Myanmar está sendo divulgada hoje e mostra que a área de cultivo da droga chegou a 32.800 hectares neste ano, contra 44.200 hectares em 2004. O número de pessoas envolvidas com essas plantações também caiu: foi reduzida em 26% e totaliza atualmente 193 mil famílias.

Myanmar continua sendo o segundo maior produtor mundial de ópio, perdendo apenas para o Afeganistão e com uma participação de 21% do mercado mundial (contra 23% em 2004). O preço pago aos produtores está estimado em US$ 187 por quilo – ou 22% maior que os US$ 153 pagos em 2004.

A pesquisa foi conduzida pelo UNODC em parceria com o Governo de Myanmar, com base em imagens de satélites e de verificações feitas nos campos de plantio. O foco da pesquisa é o Estado de Shan, que integra o conhecido Triângulo Dourado (região famosa pela produção de ópio na Ásia) e que concentra 94% da produção de ópio do país.

Combate à pobreza – O Diretor executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, comemorou o declínio no cultivo de ópio, mas alertou que os avanços na erradicação desses plantios podem ser anulados se a pobreza e a subnutrição entre os fazendeiros de Myanmar não forem enfrentadas. “Algumas das famílias mais pobres estão perdendo renda por causa da erradicação dos plantios de ópio. Sem esse dinheiro, os fazendeiros e suas famílias ficam sem condições de enfrentar a pobreza e a falta de comida, como também perdem o acesso aos serviços de saúde e educação”, alertou Costa. Para ele, essas famílias se tornam vulneráveis, sendo forçadas a migrar internamente e ficando vulneráveis às redes de exploração sexual e de tráfico de pessoas.

“O mundo não concordará com medidas anti-narcóticos que causam desastres humanitários. A comunidade internacional deve ter a sabedoria de lutar contra as drogas e a pobreza simultaneamente, eliminando as causas e os efeitos desses dois problemas. Programas de segurança alimentar e de geração de renda devem ser fortalecidos em Myanmar para apoiar a decisão dos fazendeiros de abandonar o plantio de ópio e, ao mesmo tempo, fortalecer as medidas de erradicação desses plantios ilícitos”, disse o diretor-executivo do UNODC.

O estudo revela ainda que a produção potencial de ópio em Myanmar foi estimada, para este ano, em 312 toneladas. Um valor abaixo das 370 toneladas estimadas para 2004 e distante das 1.760 toneladas verificadas em 1996. O valor total dessa produção em 2005, de acordo com o preço pago aos fazendeiros, está estimado em US$ 58 milhões, o que equivale a 0,7% do PIB do país.
Fonte: UNODC