Rússia diz que consumo de drogas parou de crescer no país

O forte aumento no número de usuários de drogas na Rússia pós-soviética já se estabilizou, disse hoje, 08/11, o Chefe da Agência Antidrogas do país, Viktor Cherkesov, atribuindo o avanço à nova política de reprimir os grandes traficantes.

Mas, segundo Cherkesov, o país ainda enfrenta enormes desafios, principalmente relativos à entrada de heroína pela Ásia Central, facilitada pela retirada dos soldados russos da fronteira entre o Afeganistão e o Tadjiquistão.
“Quanto ao problema das drogas na Rússia, podemos anunciar que no último ano o crescimento do número de usuários foi interrompido,” disse ele. “E salvamos milhões de pessoas que teriam consumido o veneno que apreendemos.”

O uso de drogas era praticamente insignificante na era soviética, mas cresceu muito com o fim do regime, em 1991. A Agência Antidrogas só foi fundada em 2003, mas Cherkesov reporta-se diretamente ao presidente Vladimir Putin e possui divisões em todas as regiões russas.
Apesar da estabilização no crescimento do uso de drogas, a Rússia ainda enfrenta um grande problema. Segundo dados do Ministério do Interior, 4 milhões de adolescentes russos consomem drogas (sendo que 25% são dependentes), além de outros milhões de adultos.
Cherkesov afirmou que reduzir o número de dependentes requer um grande esforço coordenado entre todos os órgãos estatais russos, mas disse que sua agência já conseguiu eliminar uma parte importante do mercado de drogas.

“Em 2000, 2001 ou 2002, estávamos apreendendo menos de uma tonelada de heroína por ano. No ano passado, apreendemos 3,9 toneladas de heroína. E este ano já apreendemos mais de 4 toneladas,” disse ele.
“Isso não demonstra que houve um aumento no volume de heroína em nosso mercado. Estamos procurando por ela de modo diferente. Estamos combatendo os grupos criminosos que controlam o mercado.”

A Rússia deu início a operações antidrogas em conjunto com países vizinhos também ex-soviéticos, na tentativa de acabar com a chamada “rota do norte,” que leva a heroína do Afeganistão até a Rússia e a Europa, passando pela Ásia Central.

Mas Cherkesov disse que a agência está enfrentando dificuldades para controlar o crescente influxo de heroína nas regiões do sul do país desde junho, quando os soldados russos deixaram a fronteira tadjique-afegã, que era guardada por eles desde a era soviética.
Autor: Reuters
Fonte: OBID