Uso da maconha e suas representações sociais: estudo comparativo entre universitários.

A maconha é a droga ilícita mais utilizada no Brasil. Pesquisa realizada em 2001 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, em todo Brasil, constatou que 6,9% dos entrevistados já tinham consumido maconha alguma vez na vida, e destes, 1% era dependente da droga.

Pesquisa publicada em 2004 pela revista científica Psicologia em Estudo, teve como motivadores, os seguintes aspectos: aumento do consumo de maconha em diferentes grupos sociais; necessidade de pesquisas que contemplem as representações sociais de futuros profissionais quanto ao uso da droga; contribuir com suas práticas no âmbito da intervenção e promoção da saúde. O estudo abordou as opiniões acerca do uso de maconha entre universitários concluintes de três áreas do conhecimento (Saúde, Direito e Tecnologia).

Foram entrevistados 60 universitários, de ambos os sexos, com idade entre 22 e 30 anos, cursando o último semestre das três áreas do conhecimento citadas, na Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Foram feitas perguntas sobre o posicionamento dos estudantes frente ao uso de maconha, às conseqüências na vida dos usuários, às causas do uso, e formas de tratamento consideradas mais adequadas.

Os dados obtidos entre os universitários possibilitaram opiniões consensuais e ainda, revelou particularidades de acordo com os campos de atuação profissional. Os universitários de Direito pautaram suas opiniões nas questões legais e sociais; os de Saúde, nas concepções médico-orgânicas e psicossocial; e os de Tecnologia fundamentaram suas opiniões em elementos psicossociais. Os resultados indicaram que, quanto ao posicionamento frente ao uso de maconha, 60% dos estudantes de Tecnologia foram favoráveis ao uso, e 40% desfavoráveis; Na área de saúde, 44% foram favoráveis, 15% desfavoráveis, e 41% neutros; já no Direito, 32% dos estudantes foram favoráveis, e 68% desfavoráveis.

Com relação às conseqüências do uso de maconha, a maior parte dos estudantes de Tecnologia e Direito (37% e 34%, respectivamente) acreditaram que estas atinjam mais o campo social dos usuários; já os estudantes da saúde, acreditam o campo profissional é o mais afetado. Os estudantes das três áreas apontaram a fuga dos problemas como o principal motivo para o uso de maconha. A respeito da forma de tratamento julgada mais adequada, os estudantes de Tecnologia apontaram o tratamento médico (35%); e os da área jurídica e de Saúde, o tratamento psicossocial (30% e 24%).

Devido a falhas na formação acadêmico-profissional, as opiniões dos universitários deixaram, entre outras contribuições, a preocupação quanto à prática dos futuros profissionais das áreas de Saúde e do Direto em instituições – como Manicômios Judiciários, Centros de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e outras drogas, hospitais psiquiátricos, e até mesmo hospitais gerais – que porventura recebam em seus quadros pessoas que abusem de psicotrópicos. Por isso, é necessária a formulação de estratégias que embasem futuras intervenções junto aos estudantes usuários de drogas e seus familiares. Espera-se, igualmente, que tais profissionais concorram para a implementação de políticas públicas de educação e promoção em saúde, de modo a minimizar o uso abusivo de substâncias psicoativas pela sociedade brasileira.
Fonte: Psicologia em Estudo, v. 9, n. 3, set./dez. 2004, 469-477.
Autor: Coutinho, MPL; Araújo, LF; Gontiès, B.
Fonte: OBID