Programa ajuda fumante a abandonar cigarro

Há três meses a Funcionária Lemar Rocha, está redescobrindo os cheiros e os sabores da vida. Fumante por mais de 20 anos, ela abandonou definitivamente a dependência no dia 13 de agosto deste ano. Sensações que há duas décadas não tinha, como o perfume de uma flor e o gosto exato da comida, voltaram a fazer parte da rotina dela. Sem a fumaça de nicotina, passou a sentir o ar mais puro e ganhou qualidade de vida. Dos tempos em que consumia um maço e meio por dia, não sobrou um cigarro sequer.

Lemar conseguiu parar de fumar depois de participar do Programa de Tratamento de Fumantes do Distrito Federal, promovido pela Secretaria de Saúde – SES e bancado pelo Sistema Único de Saúde – SUS. No final de julho, ela começou a participar das reuniões de um dos 28 grupos de atendimento para quem quer parar de fumar. Em duas semanas ela estava convencida de que era melhor deixar o cigarro de lado. “Meu filho Estevão, estava com problemas respiratórios e alergias. Achei que, sem o fumo, eu e ele teríamos mais qualidade de vida”, conta Lemar.

Assim como Lemar, pelo menos 4,8 mil pessoas conseguiram, desde 1999, participar de um tratamento na rede pública de saúde para deixar de fumar. No entanto, outros 5 mil esperam pela oportunidade de ter orientações e acompanhamento para dar adeus ao cigarro. A Gerência de Prevenção do Câncer da Secretaria de Saúde aumentou de 11 para 28 o número de unidades capacitadas a prestar esse tipo de serviço à comunidade. O grupo de pacientes assistidos passou de 220 para 560 todos os meses. No final de outubro, foram capacitadas mais 52 profissionais, entre Médicos, Enfermeiros e Psicólogos, para formar novos pólos de atendimento.

O Vigilante e Estudante de educação física Henrique Paulo Campos, pensou que seria mais difícil abandonar o hábito que cultiva há 14 anos. Trocou o cigarro pela saúde. Henrique sempre gostou de correr em minimaratonas na cidade, mas o fumo estava levando o seu fôlego. Há quatro meses sem fumar, ele já percebeu a diferença. “Estou me sentindo melhor, mais disposto. Sem o cigarro, ganhei mais qualidade no meu dia-a-dia”, avalia o Vigilante.

Medicamentos caros

Segundo o Coordenador de Controle de Câncer e Tabagismo, Dr. Celso Rodrigues, oito em cada 10 pessoas que entram no programa deixam a dependência, depois que medicamentos como gomas de mascar e adesivos à base de nicotina, além de antidepressivos, começaram a fazer parte da terapia dos grupos. Mas a oferta desses medicamentos também deixou o tratamento caro. Por mês, os remédios custam entre R$ 700 e R$ 800 aos cofres públicos, por paciente. Fazemos questão de dizer aos interessados quanto se gasta com isso, e pedimos àqueles que desistem para devolver o que levaram e não usaram, explica Rodrigues.

Antes dos medicamentos, somente quatro em cada 10 deixaram o tabaco com o programa. Só faz parte das estatísticas de ex-fumantes, quem fica mais de um ano sem fumar. A fila de espera não diminui, porque cada vez mais pessoas se interessam em participar do programa. “Aumentamos a oferta, mas a procura é maior ainda”, diz Rodrigues. Na avaliação dele, a intensificação de campanhas antitabagismo e o reforço na fiscalização em ambientes públicos para reduzir o fumo inflaram a lista dos interessados em abandonar o tabaco. Em média, a pessoa precisa esperar de um mês a um mês e meio para entrar em um grupo, a partir da data de inscrição, afirma o Coordenador.

Para o Pneumologista Carlos Viegas, do Hospital Universitário de Brasília – HUB, nunca é tarde ou cedo demais para deixar o cigarro. Com exceção daqueles que já desenvolveram algum tipo de câncer, o paciente recupera a saúde naturalmente quando deixa o fumo, garante Viegas.

Multa nos bares

Sem a publicidade das primeiras ações, a Vigilância Sanitária continua o trabalho para coibir o fumo em estabelecimentos públicos fechados. De março a agosto deste ano, período em que os Agentes da Vigilância intensificaram a fiscalização em shoppings, restaurantes, bares e repartições públicas, foram feitas pelo menos 700 inspeções. Cinqüenta donos de estabelecimentos e consumidores foram autuados. “Agora estamos nos estruturando melhor para apressar o julgamento das multas”, explica a Coordenadora do grupo antitabaco da Vigilância Sanitária, Mônica Mulser Parada.
Fonte:Correio Braziliense