Uso frequente de maconha prejudica cérebro de adolescentes

Adolescentes que consomem maconha regularmente correm o risco de prejudicar uma importante via do cérebro ligada ao desenvolvimento da linguagem e os que possuem predisposição à esquizofrenia podem ser vítimas da doença mais cedo, disseram pesquisadores na quarta-feira, dia 30/12.

Imagens do cérebro de adolescentes que usam a droga com freqüência revelaram anormalidades microscópicas na região que governa os aspectos mais complicados da linguagem e da audição.

Danos semelhantes no conjunto de fibras chamado de fascículo arqueado, que liga a área de Broca, no lobo frontal esquerdo, com a área de Wernicke, no lobo temporal esquerdo, foram encontrados no cérebro de consumidores de maconha e de esquizofrênicos.
“Essas descobertas sugerem que, além de interferir no desenvolvimento normal do cérebro, o uso constante de maconha por adolescentes pode provocar também o surgimento precoce da esquizofrenia em indivíduos geneticamente predispostos a ter a doença”, afirmou Sanjiv Kumra, Professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein – Estados Unidos.

Os Pesquisadores escanearam o cérebro de 114 pessoas, 26 das quais selecionadas porque possuíam esquizofrenia. Do grupo de esquizofrênicos, 15 fumavam maconha.
Outros 15 eram adolescentes do sexo masculino que consumiam maconha e que foram comparados com jovens que não usam a droga. Foi nesse grupo de usuários que as varreduras encontraram danos na área responsável pela linguagem e a audição.

O fascículo arqueado continua se desenvolvendo durante a adolescência e sofre o efeito de neurotoxinas introduzidas por meio do consumo de maconha, disseram os pesquisadores.

Uma técnica de escaneamento que detecta e mede a movimentação de moléculas de água no cérebro foi usada no estudo, apresentado durante o encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.

Cerca de 3 milhões de norte-americanos, com 12 anos de idade ou mais, usam maconha diária ou quase diariamente, segundo o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas. Os Pesquisadores disseram ser necessário agora realizar estudos de longo prazo para saber se os danos observados nos adolescentes são permanentes.
Autor: Agência Reuters
Fonte: OBID