Uso do álcool se dissemina em escolas

O problema do abuso do álcool começa a despontar em escolas públicas de Cuiabá envolvendo crianças e adolescentes com idade a partir dos 11 até os 17 anos.

O Promotor da Vara da Infância e Juventude, José Antônio Borges, diz que já recebeu em seu gabinete criança de 11 anos dependente de álcool. Borges reclama da influência da indústria do ramo que mantém na mídia publicidade de bebidas de baixo teor alcóolico, essas que acabam se tornando a porta de entrada para a dependência de drogas lícitas e ilícitas.

Dias atrás, a Diretora de uma escola estadual flagrou um aluno, que não teria mais de 13 anos, com uma garrafa de cachaça no pátio do colégio.

Ela tentou alcançá-lo, mas o garoto conseguiu evadir-se sem ser identificado. A Diretora contou que aquela não era a primeira vez que o fato ocorria no colégio. Pelas contas da Coordenadora Pedagógica da escola, que há 11 anos trabalha no local, seria pelo menos o quinto caso de flagrante de consumo de álcool dentro do colégio este ano.

“Cheguei a provar refrigerante que estava sendo tomado por alunos e comprovar que na verdade era uma mistura com cachaça”, denuncia. A Coordenadora diz que percebe que essa situação é mais freqüente entre os estudantes de 5ª a 8ª série, que têm idade entre 10 e 17 anos.

Quando isso ocorre, a escola adverte formalmente o estudante, mostra-lhe os danos que o álcool pode causar à saúde, leva ao conhecimento dos pais e notifica o Conselho Tutelar do bairro quando o aluno é reincidente.

Entre a maioria dos pais, a escola enfrenta a negação. Muitos não acreditam e acham que seus filhos não seriam capazes de tais atitudes, exceto se estiverem sendo induzidos.

Tanto para a Diretora como para a Coordenadora, fiscalizar o comércio e punir quem vende bebida alcóolica a crianças e adolescentes poderia amenizar a questão.

Na escola estadual Dione Augusta Silva Souza, no bairro CPA IV, I Etapa, o consumo de bebida alcóolica entre os alunos não representa problema. Entretanto, o colégio registrou um caso ano passado, envolvendo uma adolescente de 14 anos.

A menina, recordou a Coordenadora da Escola Dione, chegou para estudar visivelmente embriagada. Ela já era considerada problemática por causa do mau comportamento – brigava com colegas e professores e tinha notas baixas.

Neste dia, durante uma conversa com a Coordenadora a aluna confidenciou que havia bebido vinho no almoço na casa de uma amiga. Foi advertida e o caso levado ao conhecimento dos pais. Desde então, a família passou a acompanhá-la mais de perto e esse evento nunca mais se repetiu. Este ano a adolescente tornou-se uma aluna exemplar, mantém boas notas e se relaciona bem com colega e professores.

A Coordenadora percebe que quando a família é mais presente, atua como parceira da escola da educação do aluno, situações como a vivida por essa aluna ficam mais raras ou são resolvidas com menos dificuldades.
Fonte: Diário de Cuiabá