Consumo de cocaína na Europa agrava situação na Colômbia

Em discurso aos principais países doadores do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime – UNODC, o Vice-Presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderon, advertiu que o grande aumento do consumo de cocaína nos países europeus causam efeitos nocivos à sociedade colombiana que não devem ser subestimados.

Calderon convocou os governos europeus a serem mais rigorosos no controle ao uso de cocaína, que está se tornado mais aceitável socialmente em muitos países daquela região. “Se vocês não fizerem nada, esse problema vai piorar muito, destruir comunidades inteiras e gerar violência”, comentou o Vice-Presidente colombiano. “Na Colômbia, estamos gastando milhões de dólares com ações para redução do uso de drogas. Os usuários dessa droga, que integram o outro lado da equação, precisam da atenção necessária por parte dos países europeus”.

Calderon anunciou uma grande campanha de conscientização mundial, que irá utilizar slogans como “Coca não é brincadeira” (em inglês, “Coke is no joke”), para mostrar aos usuários de cocaína os perigos para a saúde, como também para conscientizá-los do fato de que o consumo de drogas abastece o crime e as violações dos direitos humanos nos países produtores.

O Diretor Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, elogiou a iniciativa colombiana. “Notamos um crescimento alarmante do uso de cocaína na Europa”, disse Costa. “É muito perigoso o fato de que pessoas bem sucedidas do mundo dos negócios, da mídia, dos esportes e do setor artístico deixam transparecer, com suas atitudes, que o uso de cocaína é algo normal em seu cotidiano”.

O Diretor do UNODC também cumprimentou a Colômbia pelo crescente sucesso nos esforços em acabar com o cultivo de drogas e outras atividades ilegais relacionadas. “Os esforços da Colômbia no controle da oferta de cocaína devem ser equilibrados com esforços no controle da demanda da droga por parte da Europa”, afirmou Costa. “O Velho Continente está experimentando taxas de abuso de cocaína que os Estados Unidos vivenciaram há 20 anos. Por que os países não aprendem com a experiência dos outros? A redução da demanda ajuda o controle da oferta e vice-versa”, comentou.

Calderon disse que o UNODC é um importante parceiro do governo colombiano, e que muito do sucesso do seu país para reduzir o uso de cocaína não seria alcançado sem a ajuda do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime.

A Colômbia reduziu o cultivo da coca em 51% nos últimos cinco anos – de 163 mil hectares em 2000 para 80 mil em 2004 – por meio de políticas que incluem a erradicação de plantações como também o apoio aos fazendeiros que voluntariamente erradicam plantações de coca ou que se recusam a plantar a droga.

O UNODC apóia o governo colombiano por meio de um programa de assistência técnica de US$ 3,5 milhões, valor que é investido no desenvolvimento de culturas alternativas e em programas de sustentabilidade familiar. O UNODC também monitora o cultivo da coca e os esforços de erradicação desses plantios por parte dos fazendeiros.
Fonte:Portal da UNODC