Venezuela culpa Estados Unidos por adiamento de novo acordo antidrogas

O Governo da Venezuela culpou hoje, 04/01, os Estados Unidos pelo adiamento de um novo acordo bilateral para a luta conjunta contra o narcotráfico, em substituição do compromisso suspenso no ano passado supostamente por ações de espionagem americana.

O Ministério Venezuelano do Interior e Justiça – MIJ disse, em comunicado, que o adiamento se deve à devolução, pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos – DEA, na sigla em inglês, do texto discutido previamente com correções “não-identificadas”.

O Titular do MIJ, Jesse Chacón, alertou que, “enquanto a DEA continuar modificando o texto (…), será mais difícil firmar o acordo”, e acrescentou que as consultorias jurídicas do MIJ e do Ministério das Relações Exteriores estão revisando as correções do novo documento, “enviado recentemente pelas autoridades americanas”.

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou em meados de 2005 a suspensão do convênio com a DEA alegando que alguns agentes estavam envolvidos em “infiltrações de inteligência que ameaçavam a segurança e defesa do país”. Chávez, no entanto, reiterou seu desejo de “manter a cooperação apesar das divergências (…), porque o combate ao narcotráfico é uma luta comum”.

Nem a Venezuela nem os EUA anunciaram as mudanças definidas no novo acordo de operação da DEA. O organismo já aprovou um orçamento de quase US$ 8 milhões para a luta venezuelana contra o tráfico de drogas este ano.

O MIJ revelou ainda que, em dezembro, “iniciou as discussões com o Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia para que apóie a Venezuela com sistemas de comunicação por satélites para a erradicação de cultivos” de coca e papoula.

“Com o apoio tecnológico deles (a DAS), poderemos realizar este ano um plano de erradicação de cultivos nos estados de Zulia, Táchira e Trujillo (na fronteira com a Colômbia)”, sustentou Chacón.

O Ministro também confirmou o anúncio de que o Governo da Venezuela “chegou a um acordo” com a Espanha e a França para que os dois países ofereçam apoio tecnológico aos corpos de segurança venezuelanos e forneçam informações via satélite.

O Presidente da Estatal Comissão Nacional Contra o Uso Ilícito das Drogas – Conacuid, a agência antidrogas da Venezela, Luis Correa, já havia divulgado em 20 /12, que, com este acordo, os policiais poderão localizar e destruir com mais facilidade pistas aéreas clandestinas e capturar aviões que transportem droga.

Apesar de não contar ainda com a tecnologia, Correa comemorou a apreensão, pelo serviço de segurança venezuelano, de 72 toneladas de drogas ao longo de 2005. O número é quase o dobro das 43 toneladas apreendidas em 2004, a maioria procedente da Colômbia, país com o qual a Venezuela compartilha uma fronteira de mais de 2.200 quilômetros.
Fonte: Agência EFE