Mais de 600 pessoas entram em 2006 sem a dependência do cigarro

Fumantes de plantão do Distrito Federal que prometeram começar o ano sem o tabaco, cumpriram a promessa. Segundo dados da Gerência de Prevenção de Câncer, da Secretaria de Saúde do DF, 661 pessoas que participaram, entre os meses de janeiro e agosto de 2005, dos grupos de prevenção ao fumo, distribuídos pelos 28 Centros de Tratamento do Tabagismo, perderam a dependência do cigarro.

Estima-se que, para este ano, 3,9 mil pessoas driblem a necessidade da nicotina. No ano passado, 1.694 fumantes ligaram para os centros pedindo ajuda. Destes, apenas 832 concluíram o tratamento. De acordo com o Gerente da Prevenção de Câncer do DF, o pneumologista Celso Rodrigues, alguns pacientes utilizam-se de medicamentos para abandonar o fumo: comprimidos, gomas de mascar e adesivos que promovem a reposição de nicotina e uma sensação de bem-estar.

A Saúde distribuiu 3.175 caixas de remédio, contendo 60 comprimidos – o suficiente para dois meses de tratamento. E ainda: 1.936 caixas de goma de mascar e 5.376 caixas de adesivos. Se o participante desses grupos comprasse uma caixa do remédio distribuído, gastaria R$ 160,00. Os adesivos que duram uma semana poderiam tirar R$ 60,00 do bolso do paciente, fator nem um pouco motivador ao fumante, de acordo com o Médico Rodrigues.

Apoio

Há quatro meses sem fumar, a Professora Shênia Bastos, 38 anos, garante que o apoio do grupo foi importante em sua vida. “Fumei durante 24 anos e decidi parar quando o meu marido falou que eu havia envelhecido. Outro fato foi a morte do meu pai, vencido pelo câncer de pulmão, aos 58 anos”, desabafa. Para Shênia, tudo melhorou. “Era prisioneira. Já cheguei a contar as moedas para comprar um maço de cigarro. Uma vez, andei muitos quilômetros, à noite, em busca do tabaco”, relata.

Cigarro e bebida alcoólica formam uma ótima dupla. Segundo o pneumologista Rodrigues, quando o indivíduo consome álcool, elimina mais rapidamente a nicotina, baixando o nível da substância. A pessoa fica com mais vontade de fumar. O ex-fumante Geraldo Magela de Rezende, 42 anos, servidor público, confirma. Ele agora bebe menos do que na época em que fumava. “Voltei a viver. Deixava, às vezes, de ir ao cinema, não aguentava ficar duas horas sem fumar”, disse. Ele fumou 31 anos e há 90 dias está livre.

Desde o dia 20/12/2005, os 28 Centros de Referência para o Tratamento do Tabagismo são oficiais. O trabalho já existe há 10 anos, mobilizando 36 profissionais da área de saúde.

Serviço

Para inscrever-se nos grupos de prevenção ao tabagismo, ligue para: (0XX61) 3346-5770 e 3346-6257.
Fonte: Jornal de Brasília