Brasil oferece ajuda para mudar áreas de cultivo da coca

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, poderá assumir um papel na substituição do cultivo de coca na Bolívia. A oferta de assistência técnica da Embrapa para melhorar a produtividade de frutas tropicais e palmito, e com isso fazer frente à imbatível lucratividade da folha de coca, é um dos itens em estudo da cooperação brasileira com o novo Governo do Presidente Evo Morales.

Outro componente que faz parte da mesma estratégia – de ajudar na erradicação de cultivos ilegais destinados à produção de cocaína – é abrir “nichos” do mercado brasileiro para os produtos de exportação bolivianos. Não há complementaridade. A Bolívia exporta palmito, banana, manga, melão, abacaxi, morango, pêssego e tamarindo – todos também produzidos no Brasil. Mas a idéia seria abrir o mercado brasileiro na região de fronteira.

“Como a escala da produção boliviana é pequena, os supermercados da fronteira podem absorver quase tudo”, estima o Embaixador Brasileiro em La Paz, Antonino Mena Gonçalves, que acompanhou as reuniões de Morales com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, no dia 13/01, e em La Paz, no domingo, dia 22/01, o dia da posse.

Morales, ex-líder sindical dos plantadores de coca, defende o cultivo da folha para uso medicinal e artesanal, mas se declara disposto a combater a produção e tráfico de cocaína.

A cooperação na área agrícola é apenas uma das idéias que técnicos brasileiros estão estudando, para traduzir na prática o desejo, anunciado por Lula, de ajudar a Bolívia. Uma missão técnica brasileira deve vir em breve para uma prospecção sobre as necessidades do País.

O Governo Brasileiro deverá incrementar, também, os financiamentos de obras de infra-estrutura na Bolívia. Uma das propostas, apresentada pela construtora Odebrecht, é a construção de quatro hidrelétricas na região da fronteira – duas no Brasil, uma na Bolívia e uma binacional.

Somadas, as quatro teriam a capacidade geradora de Itaipu. As barragens aumentariam o nível dos Rios Madeira e Mamoré, que separam os dois Países, eliminando as corredeiras e permitindo a navegação. Com isso, a Bolívia – que não tem acesso ao mar – ganharia uma saída perene para a Bacia Amazônica.

Além disso, a Braskem, subsidiária da Odebrecht, tem o projeto de construção de um pólo petroquímico na fronteira, do lado boliviano, que utilizaria o gás da Bolívia para a produção de polietileno, polipropileno, PVC, etc. O projeto foi apresentado, no ano passado, aos três principais candidatos presidenciais.
Fonte: O Estado de São Paulo