O álcool e o tabaco são as drogas mais consumidas e de uso mais precoce

A adolescência é uma etapa da vida em que ocorrem muitas transformações. O corpo começa a mudar, vontades e dúvidas surgem a cada dia, o grupo de amigos adquire grande importância e evidencia-se mais a busca de modelos identificatórios. É nesta fase, inclusive, que muitos jovens iniciam o uso de substâncias psicoativas, ficando assim mais suscetíveis ao desenvolvimento de agravos à saúde psíquica e alterações comportamentais.

“O abuso e a dependência de drogas merecem especial atenção nesta faixa etária, o que exige do profissional de saúde um repertório de habilidades que incluam uma boa capacidade de motivar estes jovens para o tratamento, construção de um bom vínculo terapêutico, manejo adequado de diferentes modalidades de tratamento (farmacoterapia, psicoterapia, prevenção de recaídas e estratégias psicossociais) e avaliação do modelo adotado”, explica o Psiquiatra e Psicoterapeuta vinculado à Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, à Universidade de Santo Amaro – Unisa e também Vice-Presidente do Comitê Multidisciplinar de Estudos sobre Dependência de Álcool e outras Drogas da Associação Paulista de Medicina – APM, Dr. Alfredo Toscano Jr.

O álcool e o tabaco geralmente são as drogas de uso mais precoce e também mais consumidas pelos jovens. Segundo o especialista, cerca de 65% dos estudantes brasileiros já consumiram bebida alcoólica e 50% deles iniciaram o uso entre 10 e 12 anos de idade. O uso de tabaco, com idade de início entre 13 e 14 anos, é bastante disseminado e preocupante pelo fato de que 30 a 50% dos que começam a fumar desenvolvem dependência.

A maconha, muitas vezes, não identificada sequer como droga pelos adolescentes por ser uma substância ‘natural’, teve o seu uso entre estudantes aumentado nos últimos anos de 2,8% em 1987 para 7,6% em 1997, enquanto o uso freqüente, ou seja, de seis vezes ou mais por mês, é constatado em 1,7% deles.

O consumo de outras drogas, tais como a cocaína, por via intranasal e fumada (crack), de inalantes e de medicamentos, embora menos relevante no nosso meio, também requer a atenção dos profissionais de saúde.

A presença de comorbidade (pelo menos de um outro transtorno psiquiátrico associado) deve ser considerada em 60% dos casos. Os transtornos comórbidos mais comuns são depressão, bipolar do humor, de déficit de atenção e hiperatividade – TDAH, de conduta, dos impulsos e alimentares.

Neste período difícil, os pais têm de demonstrar que estão dispostos a ajudar o adolescente. Dr. Toscano acrescenta ainda que é fundamental não encarar a droga como o único motivo da busca por tratamento, mas tentar unir as razões que levaram o jovem a recorrer à substância, devendo-se estabelecer com ele uma relação sincera e desprovida de preconceitos que facilite o encaminhamento para uma avaliação especializada inicial.

O tratamento medicamentoso e psicoterápico requer também orientação e/ou terapia familiar, além de técnicas complementares (ocupacionais, arte-terapêuticas, corporais entre outras).
Fonte: Revista IN