Repressão real no mundo virtual

Aos infratores on-line e usuários da internet desavisados, um alerta da polícia: vem aí a patrulha virtual. A nova modalidade de policiamento, via rede mundial de computadores, foi anunciada pelo Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro , Álvaro Lins, durante entrevista, como sendo a mais nova arma nas ações de redução dos crimes oriundos da internet. Lins falou sobre o novo policiamento e ressaltou a importância das investigações e da redução da oferta , principalmente, aos crimes de apologia e comércio de drogas nos sites de relacionamentos, como o Orkut.

A sensação de impunidade e a falta de uma legislação específica para os delitos on-line foram destacados pelo Delegado como fatores preponderantes para o aumento da incidência dos delitos na internet. Detentora do maior número de registros de crimes virtuais no Estado, a cidade de Niterói receberá um cuidado especial da polícia, que já intensificou as investigações, sob a determinação da Chefia de Polícia Civil.

Há alguns dias, foi denunciado o crescimento dos casos do comércio e apologia ao tráfico na cidade através do Orkut.

– Como vai funcionar a patrulha virtual?

– Funcionará de forma análoga a uma abordagem real. Realizamos as investigações através da internet, buscamos os suspeitos e realizamos a chamada abordagem virtual. No caso do orkut, os usuários das comunidades receberão um aviso na tela dos seus computadores, onde aparecerá o emblema da Polícia Civil e um alerta de investigação. Dessa forma, eles saberão que estão sendo alvo da patrulha virtual. Nossa meta é reprimir o crime na fonte e inibir o acesso de outros usuários.

– A polícia não deveria interpelar judicialmente as empresa responsáveis pelos sites de relacionamentos?

– Estamos trabalhando para isso. Ainda não existe uma legislação específica para crimes na internet. No início deste ano, intimamos os representantes do Google no Brasil, detentores do sítio de relacionamentos orkut. Seus advogados compareceram à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática – DRCI e disseram que a empresa, apesar de ser a responsável pelo orkut, não têm ingerência sobre o seu conteúdo. Estamos trabalhando com o Ministério Público para encontramos uma saída jurídica.

– O projeto patrulha virtual pode ser considerado o embrião de uma polícia do futuro?

– Tenho plena certeza disso. Apesar de todas as dificuldades, buscamos acompanhar os avanços tecnológicos, bem como as mudanças em todo o contexto social. A sonhada polícia do futuro, como podemos vislumbrar em filmes de ficção científica, já está sendo delineada. É uma realidade que vem tomando forma a cada ano.

– É notória a defasagem material dos órgãos de polícia em relação aos novos infratores on line. O que está sendo feito para diminuir esse vácuo?

– No que tange ao aparato tecnológico, a polícia não tem deixando nada a desejar. As nossas delegacias estão sendo informatizadas e integradas em um único sistema. É evidente que a velocidade das inovações nesse setor precisam de um acompanhamento constante. Já estamos fazendo convênios com organizações civis e universidades, com objetivo de estarmos sempre à frente e prontos para responder à demanda de segurança.

– O que está sendo feito para mudar essa lógica da sensação de impunidade na Internet ?

– Só no ano passado foram presos, salvo engano, cerca de 15 jovens envolvidos com crimes de tráfico de drogas na rede mundial de computadores. Não estamos contando os envolvidos com pedofilia e as fraudes relacionadas a sites de empresas e bancos. Volto a afirmar que a internet não é um território livre. Existe punição e as pessoas podem ser presas pelos crimes.

– Como se explica o envolvimento de tantos jovens niteroienses nesse tipo de crime?

– A Polícia Civil está realizando um trabalho específico em Niterói. A concentração de computadores na cidade é muito grande. Além disso, o Município tem a peculiaridade de ser um grande ponto de encontro. Isso facilita os relacionamentos, principalmente entre os jovens. Determinamos a intensificação das investigações, em especial, em Icaraí.

– Qual a mensagem do chefe da polícia para os jovens e pais usuários da internet?

Aos pais eu aconselho que converse com os seus filhos e monitorem todas as atividades deles na internet. Faço um alerta também para os cuidados que precisam ter quando deixam seus filhos disponibilizarem dados da família na rede.
Fonte: Jornal do Brasil