Escolas encaram a proibição do cigarro – SC

Secretaria Municipal de Educação de Blumenau promete cumprir Lei municipal de 2000, ignorada pelas instituições de ensino.

Depois de seis anos de descumprimento, começa a ser discutida uma Lei até então desconhecida dos professores e funcionários da rede municipal de ensino. O texto aprovado pelos Vereadores em 2000 diz que é proibido fumar nas escolas, inclusive nas áreas externas.

A Secretaria da Educação pretende levar a discussão às reuniões com os diretores, no entanto, de acordo com a Secretária, Dinorah Gonçalves, a Lei não será contestada, e sim, cumprida.

Já em 1979, o fumo foi proibido por Lei municipal dentro de qualquer ambiente público, inclusive nas salas de aula.

“Não tínhamos conhecimento da nova Lei e vamos conversar nas escolas sobre um modo de cumpri-la sem punir os professores que fumam”, declara Dinorah.

Mudanças no texto ou nova discussão na Câmara de Vereadores não são necessárias, na opinião da Secretária. Ela diz que fumar no pátio ou nos corredores das escolas municipais vai mesmo ser proibido.

Mas ainda não foi definido como ficarão os dependentes do cigarro que trabalham na educação.

“Até mesmo as áreas para fumantes que algumas escolas possuem é proibida. Teremos que promover uma campanha de conscientização”, conclui.

Na Escola Básica Municipal Oscar Unbehaun, no Bairro Água Verde, os professores ouvem recomendações da direção contra o uso do cigarro desde a primeira reunião de planejamento do ano letivo.

O Diretor, Gilmar Barg, adianta o discurso anti-tabagismo aguardando o início da campanha Saber Saúde, a ser implementada pela Secretaria da Educação este ano. Na escola, cerca de 10% dos 80 funcionários e professores são fumantes.

Mesmo assim, Barg garante que a proibição fará diferença.

“Ainda não é proibição, mas pediremos aos funcionários uma mudança de hábito”, informa.

O que diz a Lei:
É proibido fumar nas dependências externas das escolas estabelecidas no município, durante o horário letivo. O descumprimento da Lei acarretará ao infrator multa no valor de 300 UFIRs, o equivalente a R$ 319,47.

Dinorah Gonçalves, Secretária de Educação: “Vamos conversar nas escolas sobre o modo de cumprir a Lei sem punir professores”

Os professores que fumam preferem evitar na presença de alunos. “Fumar na frente dos alunos, nem pensar”. Para a Professora Gilda Camilo, que há 20 anos declara não conseguir abandonar o fumo, o pátio não é o lugar certo para aliviar a tensão acendendo um cigarro. Na hora do intervalo, ela se junta a outros colegas no cantinho batizado de “fumódromo”. Ao ar livre e longe das vistas dos estudantes, principalmente os pequenos, não gosta de chamar atenção. Por isso, prefere ficar no “fumódromo” e concorda com a manutenção dos locais para fumantes nas escolas.

“Procuro fumar pouco, mas ficar sem um cigarro a tarde inteira altera o humor e provoca certa ansiedade”, conta.

Os que não fumam acham que deveria haver lugar reservado para fumantes. O ideal seria que ninguém fumasse nas escolas, mas até lá existe um longo caminho a ser percorrido. Assim pensa a Coordenadora de ensino Isolde Depiné Schulz. Para ela, não há como cortar a substância, que age como uma droga no organismo.

“É um vício. Apesar de concordar com a Lei, acho que deve haver um lugar reservado para os fumantes”.

Na escola onde trabalha, o incômodo com a fumaça desaparece quando os colegas fecham a porta do “fumódromo”. Para Isolde, a solução são as campanhas de conscientização contra o fumo.
Fonte: Jornal de Santa Catarina