Cientista descobre proteína que agrava dependência da cocaína

Um Cientista italiano garante ter encontrado a chave para combater a crise de abstinência, um dos maiores obstáculos para a cura de dependentes de drogas: a proteína Orexin A. O Pesquisador do Centro para Neurobiologia do Vício da Universidade da Califórnia Antonello Bonci, disse que a descoberta ocorreu por acaso. Ele e outros quatro colegas estudavam o papel dessa substância em alterações no cérebro de ratos mantidos sob uso crônico da cocaína. A equipe comprovou que a proteína é necessária para o desenvolvimento de comportamentos provocados pela ânsia do tóxico. Nosso estudo mostra que a Orexin A provoca mudanças nos neurônios produtores de dopamina da área ventral tegmental – VTA, a região do cérebro onde surge a dependência da cocaína, explicou.

De acordo com Bonci, os cientistas usaram um teste comportamental conhecido como sensibilização à cocaína. Eles administraram doses repetidas da droga nos ratos. Algum tempo depois, notaram que as cobaias começaram a se movimentar mais ao redor da substância tóxica. As modificações neurais que sustentam esse comportamento podem levar à dependência. Ao bloquearmos a influência da Orexin A sobre essa região do cérebro, poderemos deter a sensibilidade à cocaína, afirmou o pesquisador.

Em resumo, o italiano acredita que a síndrome de abstinência pode ser combatida se a ação dessa substância for interrompida. Para entender a importância da Orexin A na ânsia da droga, é preciso contextualizar o seu papel no cérebro. Segundo a canadense Stephanie Borgland, Ph.D. em Neurobiologia e co- autora da pesquisa, os neurônios que contêm a proteína se localizam na área do cérebro chamada de hipotálamo lateral. Essa região está envolvida em muitos processos regulatórios, como o balanceamento da fome ou da saciedade. Os neurônios com Orexin A são ativados quando o animal sofre um aumento do fluxo metabólico, explicou. Tais células do cérebro só se ligam para que a cobaia inicie comportamentos motivados como conseguir comida ou utilizar drogas. Em síntese, a proteína regula o desejo de consumir mais cocaína, ao atuar diretamente na área ventral tegmental.

Durante os testes, Bonci percebeu que a Orexin A ajuda a fortalecer as transmissões entre neurônios do hipotálamo lateral e a liberação do neurotransmissor dopamina na área ventral tegmental. Esse fenômeno, chamado de plasticidade sináptica, é crucial para o estabelecimento da dependência. O bloqueio normal da ação da Orexin A enfraqueceu a comunicação crítica entre os neurônios e reverteu o comportamento de sensibilidade à cocaína nos ratos, acrescentou.

O Cientista italiano revelou que a próxima meta será criar substâncias que façam o papel inverso da Orexin A. O bloqueio da proteína deverá interromper comportamentos associados a dependência. Antonello Bonci já conseguiu reverter o estado de dependência do cérebro dos animais através de drogas que bloqueavam a atividade da Orexin A nessa área cerebral. Agora, ele e sua equipe visualizam um único objetivo. “Nossa meta é ajudar os farmacodependentes que sofrem porque desejam parar de tomar drogas, mas não conseguem”. A importância da descoberta não está apenas na revelação da forma como o cérebro é modificado pela proteína durante a abstinência. A compreensão do papel da Orexin A pode criar caminhos para a busca de remédios contra a dependência. Bonci assegura que a expectativa também vale para os dependentes de heroína. O estudo foi publicado na semana passada na revista Neuron.
Fonte: Correio Braziliense