Organização Mundial da Saúde quer regulamentar anúncios de cigarro na Internet

Autoridades da área da saúde de mais de 100 países entraram num acordo para estudar a ampliação do controle das propagandas de cigarro na Internet e na TV por satélite, disse na sexta-feira a Organização Mundial da Saúde – OMS.

A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, que entrou em vigor há um ano, proíbe a propaganda, a promoção e os patrocínios de produtos derivados do tabaco, acusados por cinco milhões de mortes precoces todos os anos.

Mas as autoridades de 113 países, que se reuniram na primeira conferência dos participantes da convenção, concluíram que o pacto não cobre propagandas que têm o poder de cruzar fronteiras, afirmaram integrantes da OMS.

Até 2020, o tabagismo matará 10 milhões de pessoas ao ano se as tendências atuais não mudarem, afirma a entidade. Há hoje cerca de 1,3 milhão de fumantes no mundo todo.

Os países vão estudar a criação de protocolos obrigatórios que reprimam os anúncios de um país para outro, assim como o comércio ilícito, e entregarão os resultados da pesquisa em meados de 2007, disseram as autoridades num comunicado à imprensa, no encerramento de duas semanas de negociações.

“Identificou-se um ponto cego, o fato de que há outras formas de anúncio provenientes de países não participantes (da conferência): a comunicação pela Internet e o patrocínio esportivo, que talvez acompanhe a TV por satélite”, disse Douglas Bettcher, Coordenador do Escritório de Controle do Tabagismo da OMS.

“Teremos de tratar de questões técnicas complexas para cuidar do problema, regulamentá-lo e eliminá-lo”, afirmou ele.

Dennis Aitken, Chefe do Gabinete do Diretor-Geral da OMS, disse: “Este é apenas o início do processo do protocolo, ninguém se comprometeu com nada de forma absoluta. Mas o processo já começou”.

As autoridades da área de saúde também fecharam um acordo para que uma nova secretaria de controle internacional do tabagismo tenha sede em Genebra e um orçamento anual inicial de 8 milhões de dólares, afirmou a OMS.

“Estou convicto de que estamos no caminho certo para salvar milhões de vidas no futuro, graças a esse tratado”, disse Juan Martabit, o Embaixador chileno que presidiu as negociações.

Ativistas acusaram as grandes indústrias de cigarro de tentar retardar a implementação do tratado nos países em desenvolvimento, que constituem seu maior mercado.

“Da África até a América Latina, passando pelo Oriente Médio e o Sudeste Asiático, ficamos sabendo de tentativas de interferir nos níveis mais altos do governo”, disse Kathryn Mulvey, Diretora-Executiva do grupo Corporate Accountability, com sede em Washington.
Autor: Reuters
Fonte: OBID