Brasil está entre os maiores consumidores de anfetaminas

Um relatório da Junta de Internacional Fiscalização de Entorpecentes – Jife, órgão independente que monitora a implementação das convenções das Nações Unidas sobre o controle de drogas, revela: o Brasil é o maior consumidor mundial de anfetaminas, a substância mais comum em remédios para emagrecer.

O documento, que só será divulgado oficialmente à imprensa amanhã, dia 03/03, mostra que são ingeridas 9,1 doses diárias dos estimulantes ilegais por cada mil brasileiros. O país supera até mesmo os Estados Unidos, que tiveram uma média de 7,7 doses. Agentina (6,7) e Coréia do Sul (6,4) vêm em seguida no ranking.

Os números, calculados entre 2002 e 2004, representam um aumento de mais de 20% em relação ao período entre 1992 e 1994. Nos últimos três anos, a América se converteu mais uma vez na região com maior uso desses produtos, entre eles, anfepramona, aminorex e etilanfetamina.

Em entrevista, especialistas apontaram ontem, dia 01/03, três medidas para reversão dessas estatísticas: aumento da fiscalização, reeducação dos médicos endocrinologistas e maior conscientização do próprio paciente. As anfetaminas como supressores de apetite só podem ser comercializadas no Brasil sob prescrição médica. Mas a Jife alerta para a venda indiscriminada em farmácias e a fabricação em laboratórios clandestinos.

As substâncias já podem ser compradas pela internet e ameaçam a cocaína na preferência de consumidores de drogas na América Latina, junto com a maconha. O relatório da Jife comprova que a América do Sul, principalmente a Colômbia, é o principal fabricante e exportador mundial de cocaína. Por outro lado, o cultivo da Cannabis sativa (cânhamo) – planta cuja folha é a matéria- prima da maconha – nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e no Paraguai está relacionado a bolsões de miséria. “Ainda que poucos países enfrentem sérios problemas com o plantio ilícito de cannabis, os programas de desenvolvimento sustentável têm sido praticamente inexistentes nas áreas de cultivo”, destaca o relatório.

A Jife apela aos estados para que mesclem esse projeto com a erradicação das drogas. O conceito de desenvolvimento sustentável prevê a substituição do cânhamo e da Erythroxylon coca (base da cocaína) por culturas legais, além da inclusão do tratamento de portadores de HIV na questão da droga e uma participação efetiva da polícia na repressão.

Em 2004, mais de 5 mil toneladas de Cannabis sativa foram destruídas pelo Paraguai, com o auxílio das autoridades brasileiras. Em 2004, as apreensões de maconha aumentaram 250% na Bolívia, em comparação com o ano anterior. Com relação à cocaína, o relatório aponta uma queda no cultivo de coca na Colômbia, redução de até 50% desde 1998.
De 2003 para 2004, a diminuição foi de 86 mil hectares para 80 mil hectares.

No entanto, as plantações se espalharam para áreas antes não afetadas antes e 60% eram culturas novas. Colômbia, Bolívia e Peru tiveram um aumento de 158 mil hectares na área cultivada de coca, o que equivale a 3% em comparação a 2003.

Acordos

A entidade enfatizou a importância de acordos bilaterais no controle de drogas e citou como exemplo a criação de um centro de inteligência da Polícia Federal – PF brasileira na Tríplice Fronteira. Também admitiu que Brasil, Equador, Suriname e Venezuela são importantes rotas do tráfico de cocaína com destino à Europa e aos EUA. Apesar do panorama pouco animador, a Jife reconhece que aumentou o número de apreensões sistemáticas de coca no Brasil e em outros países.
Autor: Correio Baziliense
Fonte: OBID