Estados Unidos identificam Cone Sul como zona de passagem de drogas

O aumento da atividade policial no Cone Sul não diminuiu a sua condição de região de passagem de drogas e produtora dos elementos químicos usados na sua elaboração, segundo divulgou o Governo dos Estados Unidos no dia 01/03.

O Departamento de Estado realizou essa avaliação em um relatório anual publicado dia 01/03, no qual analisa a luta contra os narcóticos no mundo inteiro.

Com base neste relatório e em outros elementos, os Estados Unidos decidirão em setembro se vão manter ou cortar a ajuda enviada a Governos estrangeiros para a redução d o narcotráfico, um processo conhecido como “certidão”.

Argentina

A Argentina é um país de passagem de cocaína dos países andinos rumo à Europa e de heroína colombiana para os Estados Unidos, especialmente Nova York, segundo o estudo.

Além disso, na Argentina, como no vizinho Chile, aumentaram as apreensões de drogas sintéticas, como o êxtase.

Devido a sua indústria química, o país é também “um dos maiores produtores de precursores da América do Sul”, assinala o estudo.

O confisco destes agentes químicos aumentou “significativamente” nos nove primeiros meses de 2005, superando os 54 mil quilos de produtos sólidos e os 88 mil litros de líquidos, de acordo com o relatório.

Embora os Estados Unidos não considerem a Argentina como um produtor importante de drogas, o documento destacou que a Polícia descobriu pelo menos dez laboratórios de cocaína nos dez primeiros meses de 2005. “Está claro que o aumento na produção de cocaína, iniciado em 2003, continuou”.

Brasil

O Departamento de Estado destacou o aumento dos confiscos de drogas e das detenções em 2005 no Brasil, graças a uma melhora na capacidade de investigação da Polícia federal.

No entanto, o Brasil continua sendo “um país principal no tráfico de drogas para a Europa e, em menor medida, Estados Unidos”.

Em 2005, a Polícia federal apreendeu 15,8 toneladas de hidrocloreto de cocaína (que deve ser processado para ser consumido), o dobro que o ano anterior, e 126 quilos de crack, além de 146,6 toneladas de maconha.

As Polícias estaduais são responsáveis por 25% destes números, segundo estimativas do Governo do Brasil citadas pelo relatório.

O Governo de Washington recomenda ao País que aumente o número de agentes lotados na operação Cobra, um programa coordenado por Estados Unidos e Brasil para a interceptação das drogas que entram pela fronteira norte.

Chile

O Chile é um país de passagem de cocaína e heroína para os Estados Unidos e Europa, assim como uma fonte de elementos químicos para o processamento de coca no Peru e na Bolívia, segundo o relatório.

O tráfico por meio do Chile aumentou em 2005, já que os narcotraficantes usam as boas estradas do país para transportar a droga até seus portos, explica.

O Departamento de Estado destacou que os criminosos se aproveitam dos tratados que permitem o trânsito sem inspeção das cargas da Bolívia e do Peru que se dirigem aos portos de África e Antofagasta.

Mas parte das drogas fica no Chile, onde aumentou o consumo de cocaína. O último estudo do Comitê Nacional para o Controle de Entorpecentes – Conace, de julho de 2003, “demonstra que a atual infra-estrutura para o tratamento (dos dependentes) é insuficiente”, afirmam os Estados Unidos.

Paraguai

No Paraguai, policiais de altas patentes protegem narcotraficantes, segundo denúncia do Departamento de Estado, que definiu o país como “um ponto importante de passagem de drogas” rumo a Brasil, Argentina, Europa, África e Oriente Médio.

Os Estados Unidos destacaram como um aspecto negativo a nomeação, em novembro de 2005, de Arístides Cabral como Chefe da Polícia do Departamento de Presidente Hayes, ao noroeste de Assunção.

O Departamento é parte de uma região pouco povoada que é usada pelos narcotraficantes para transportar a droga, afirma o relatório.

O Governo de Washington assinalou que “há alegações sólidas de que Cabral está envolvido em corrupção e tem vínculos com o tráfico de drogas”.

O relatório destaca que a corrupção na Polícia Nacional e a falta de eficiência do sistema judiciário dificultam a repressão aos entorpecentes.

“Há evidência de que agentes de alto nível da Polícia Nacional do Paraguai fizeram fracassar operações antinarcóticos e dão proteção aos narcotraficantes”, assinala o relatório.

Os Estados Unidos também constataram um aumento no cultivo de maconha no país, estimado em 5.500 hectares em 2005, das quais 1.000 hectares foram destruídos pela Polícia.

Uruguai

O relatório do Departamento de Estado alerta que os poucos controles da bagagem no aeroporto internacional de Carrasco e dos contêineres dos portos do Uruguai permitem aos narcotraficantes o seu uso para transportar drogas e precursores químicos.

Os Estados Unidos alertam também que a pouca presença policial na fronteira com o Brasil e a pressão sobre as redes ilegais nos países andinos tornam o Uruguai um país atraente para o transporte de drogas por meio de carros particulares, ônibus e pequenos aviões.

Ainda assim, os Estados Unidos consideram o país um lugar “menor” no tráfico de entorpecentes.

Em 2005, a Polícia apreendeu 945,6 quilos de maconha, 15,5 de heroína e 76 de cocaína, o dobro que no ano anterior, segundo o relatório. No mesmo período, realizou 962 detenções, um número muito menor que os 1.526 de 2004.
Fonte: Agência EFE